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Páscoa traz fantasia e encantamento para crianças

Criatividade e imaginação dos pequenos cresce com data

Páscoa traz fantasia e encantamento para crianças
Páscoa traz fantasia e encantamento para crianças Foto : André Ávila
Milhares de crianças vão acordar cedo e ansiosas neste domingo em busca de cestas e dos ovos de chocolate deixados pelo coelho de Páscoa. A tradição que acompanha gerações e gerações e, mesmo com todos os avanços tecnológicos, permanece viva nos lares e tem uma importância para os pequenos bem maior do que se imagina. A fantasia e o encantamento desse momento representam significados mais amplos que o lado comercial.

A data comemorativa é uma grande oportunidade de reforçar as relações sociais e de desenvolver a imaginação nas crianças, avaliam alguns especialistas em comportamento infantil. “A Páscoa representa o renascimento e a figura do ‘ovo de chocolate’ traz consigo todos os elementos da vida e da generosidade. São valores importantes para a formação dos futuros adultos”, explica a presidente da Sociedade de Psicologia do Rio Grande do Sul, Sônia Sebenelo.

Para Sônia, muitos pais não têm essa compreensão, em parte resultado do perfil da sociedade contemporânea. “A Páscoa deve ser um momento de confraternização e de reunião de amigos e parentes. Essas relações pessoais auxiliam no desenvolvimento de um cidadão mais generoso, mais íntegro e ético.”

Na mesma lógica, a psicóloga e professora da PUCRS Carolina Saraiva de Macedo Lisboa ressalta que cabe aos adultos a responsabilidade de promover esses momentos lúdicos, que estimulam a criatividade e a sociabilidade dos pequenos. “A criança sempre está receptiva a conhecer e vivenciar essas experiências. Agora, são os pais e os responsáveis que devem conduzi-las para terem a oportunidade”, indica. Ela enfatiza que as características da vida contemporânea, como o pouco tempo, a alta competitividade e a distância dificultam o processo. Assim, as vivências compartilhadas e de confraternização acabam por ser substituídas apenas por presentes e chocolates, quase numa compensação.

Se a orientação é estimular a magia e a fantasia, há muitos lugares em que isso é levado ao pé da letra. Algumas escolas de Educação Infantil promovem programações em torno da data. Na Escola Municipal Erico Verissimo, na zona Norte de Porto Alegre, as 190 crianças participaram de várias atividades na semana que antecedeu a Páscoa. A chegada à instituição já indicava um clima diferente. As pegadas do coelhinho pintadas no chão traçavam o caminho ao hall de entrada, onde um mural de fotos mostra as crianças fantasiadas. Elas fizeram ainda cartões, desenhos e receberam até a visita de uma coelha, que foi a responsável por entregar os doces aos pequenos.

Com os professores, eles vivenciaram ao máximo o encanto da Páscoa. “A preocupação é fazer com que brinquem e tenham esse imaginário infantil e, principalmente, com o envolvimento do núcleo familiar”, comentou a coordenadora pedagógica da escola, Cíntia Monteiro, recordando que muitos pais e familiares acompanharam as atividades.

Voluntários garantem sorrisos

A vontade de tornar a Páscoa um momento de felicidade para quem enfrenta tantas dificuldades no dia a dia é o sentimento que predomina entre os milhares de voluntários que se espalham pelo Estado. Vão em busca de doações, reúnem o tempo disponível e fazem o “impossível” com demonstrações de carinho e solidariedade.

Colegas de trabalho, a publicitária Natália Carvalho, 29 anos, e a nutricionista Sabrine Torma, 26, transformaram uma conversa informal há pouco mais de três semanas na felicidade de dezenas de crianças de um abrigo em Guaíba e numa casa de passagem em Eldorado do Sul. Montaram 60 cestas. “Seria uma coisa pequena, mas começamos a pedir apoio nas redes sociais e então tudo se tornou grande”, comenta Natália.

Boa parte das doações veio de desconhecidos. Outras chegaram de perto, como de dois estagiários da empresa que compraram 12 ovos. “Basta uma ideia para que as pessoas de bem apareçam e ajudem”, resume ela. Para Sabrine, a felicidade das crianças foi o ponto alto da ação. “Elas estavam ansiosas esperando o coelhinho e quando viram pareciam não acreditar”, recorda.

Esse sentimento de magia ganha força extra em locais onde as crianças se tornam grandes guerreiras: os hospitais. Muitas instituições com ala pediátrica promoveram festas, para tentar amenizar a dor, como os hospitais Santo Antônio, da Santa Casa; São Lucas, da PUCRS; e Criança Conceição, todos em Porto Alegre.