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Pássaros são hóspedes inoportunos na rede elétrica

Aves podem causar curto-circuito

João-de-barro tem se tornado hóspede inoportuno
João-de-barro tem se tornado hóspede inoportuno Foto : Carla Ruas / CP Memória
O joão-de-barro, este simpático pássaro cor de telha que habita a região do Mercosul, tem se tornado um hóspede inoportuno, causando quedas de luz acidental e prejuízos substanciais às principais concessionárias gaúchas. Conforme a RGE, durante o ano de 2014, ocorreram 7.902 desligamentos da rede elétrica por causa de animais, incluindo o joão-de-barro. Isso representa 4% das ocorrências da empresa. A CEEE não tem em sua base de dados informações sobre o tema e a AES Sul também não conta com base de dados específica.

O pássaro que constrói seu ninho de barro nos postes e luminárias públicas das cidades costuma fazer a casa colada no isolador, uma peça de cerâmica que sustenta o fio de alta-tensão. Quando ele precisa limpar o bico no fio energizado, acaba causando um curto-circuito local e morre na hora, deixando sem luz quem mora na redondeza. Para o técnico Gastão Antunes, que trabalha com uma equipe terceirizada de manutenção da rede, para evitar esse tipo de problema, a companhia desenvolveu uma peça de plástico que impede o joão-de-barro fazer sua casa perto dos fios. Assim o pássaro não encontra espaço suficiente para fazer o ninho e é forçado a construir a casa em uma parte mais segura, como o topo de um poste da rede de telefonia ou em árvore frondosa. O custo do equipamento é baixo e seu uso reduz o número de desligamentos e salva milhares de pássaros. Outros pássaros de médio porte, além de gambás, também respondem pelos transtornos às concessionárias.


Espécie se adapta a vários locais

O joão-de-barro é uma espécie que habita ambientes abertos ou não florestais e que apresenta grande plasticidade ecológica. Por isso, tende a se adaptar bem a zonas rurais com núcleos urbanos ou mesmo urbanizadas. Edificações de quaisquer naturezas, como casas, postes e torres, atraem a espécie, porque tais construções lhe dão maior oferta de locais seguros e propícios para construção de seus ninhos, as conhecidas casas de barro com fibras vegetais em forma de forno.
Conforme o ornitólogo do Museu de Ciências e Tecnologia da PUCRS Márcio Repenning, o joão-de-barro não se incomoda com a presença humana. Ele destaca que o pássaro não tem hábitos nocivos ao homem nem transmite qualquer doença, o que faz dele uma criatura inofensiva na paisagem urbana.


Exóticas, pombas se proliferam

A população de pombas-de-bando, em Porto Alegre, não se limita à região central, apesar de essas aves terem mais evidência nas imediações do Mercado Público, prefeitura e Praça da Alfândega. Não há estimativas do número de aves que vivem no meio urbano, mas essa espécie exótica, que veio da Europa no século XVI e chegou em navios com mercadorias e pessoas, se reproduziu com espantosa rapidez nas últimas décadas na zona urbana, onde encontra alimento e proteção contra as intempéries com mais facilidade.

O biólogo Glayson Bencke, do Museu de Ciências Naturais da Fundação Zoobotânica, explica que o pombo doméstico se reproduz com facilidade e transmite diversas doenças como criptococose, salmonelose, toxoplasmose, tuberculose aviária e alergia. Adverte que os pombais ou ninhais que se criam embaixo de telhados são focos de ácaros, piolhos e bactérias que causam doenças graves. Pessoas desavisadas muitas vezes podem se contaminar quando sobem ao sótão de casas antigas, escolas, hospitais e fábricas que abrigam ninhos, cascas de ovos, penas e fezes das aves, que se tornam vetores para esse tipo de infestação. Bencke destaca os cuidados da população com o contágio direto, principalmente aspirando partículas de pó que saem desses ninhos.

Bencke diz que a explosão demográfica da pomba-de-bando e de outros animais e micro-organismos gera desequilíbrio ambiental. Para ele, a monocultura e as supersafras no RS podem ter provocado erosão, alterações climáticas e assoreamento.