O governo federal divulgou, nesta segunda-feira, as principais obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC 2). Entre elas estão incluídos projetos para o Rio Grande do Sul, como a ponte na BR-116, entre Jaguarão e Rio Branco, e a pavimentação das BRs 285 e 470, na divisa com Santa Catarina. Durante o evento de lançamento da extensão do programa, a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, afirmou que o governo está também celebrando os resultados da primeira edição do programa. "Vamos celebrar os resultados do PAC lançando o PAC 2. É a continuidade do programa que mudou a fama de governar o Brasil, colocando o investimento na ordem do dia", afirmou.
O governo estuda ainda construir o Metrô Porto Alegre e uma ferrovia ligando a cidade de Panorama, em São Paulo, a Rio Grande, no Sul do Estado. A Ferrovia Norte-Sul deve ser ampliada a partir de Anápolis, em Goiás, até Estrela do Oeste, no Noroeste do Estado de São Paulo, trecho de 669 quilômetros, numa obra que deve custar cerca de R$ 2,7 bilhões. Depois disso, a ferrovia deve ser levada até Panorama, o que significará uma ampliação da estrada em mais 220 quilômetros, a um custo de R$ 290 milhões. E a partir daí seguir para o Estado até Rio Grande englobando mais 1.620 quilômetros.
Também será instalado um novo terminal de passageiros no Aeroporto Salgado Filho, para a Copa de 2014. Serão executados a terceira fase da dragagem do Cais do Porto do Rio Grande e o projeto Hidrovias Corredor do Mercosul, entre Santa Vitória do Palmar, passando por Rio Grande, São José do Norte, Pelotas, Cachoeira do Sul, Estrela e Porto Alegre. O PAC 2 também prevê a construção de quatro barragens: do Rio Soturno, Sarandi, Arroio Passo da Serraria e São Sepé. O sistema de irrigação inclui o Canal Jaguari, Taquarembó e a segunda etapa do Costa Doce.
Também estão previstos oito parques eólicos na região Noroeste do Estado. A transmissão de energia será incrementada entre Porto Alegre, Restinga e Viamão e a geração de energia contará com hidrelétrica Binacional, entre Brasil e Argentina, ainda sem local definido. Em seu discurso, na cerimônia de lançamento do PAC 2, Dilma disse que "o programa mobiliza todos os ministérios e firmou um sólida parceria entre os setores público e privado permitindo um trabalho harmonioso entre as três esferas da federação".
Tom político
A chegada da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, para lançamento da segunda versão do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC 2), nesta segunda-feira, já deu o tom político-eleitoral do evento. Pré-candidata do PT à Presidência da República, o nome de Dilma só foi anunciado depois que ministros, governadores e prefeitos já estavam presentes e perfilados no palco ou próximo dele. A ministra foi a única a ser aplaudida ao ter o seu nome anunciado por duas vezes. Na segunda vez foi aplaudida de pé pela maioria dos participantes do evento.
Em seu discurso, a ministra exaltou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que "enxerga o País muito além do seu governo", e disse que PAC será "herança bendita" para o próximo presidente. A ministra da Casa Civil afirmou ainda que o "PAC 2 incorpora, complementa e faz avançar o PAC 1". "Nenhum outro governo estabeleceu relação mais produtiva com Estados e municípios nas ultimas décadas", disse.
Mas quem deu o tom eleitoral do evento foram os políticos que falaram antes da ministra. Dilma foi o foco dos principais discursos da cerimônia. Antes de elogiar a ministra, o governador da Bahia, Jaques Wagner (PT), afagou o presidente pela forma de condução do País e atuação na política externa. Segundo Wagner, o presidente "é uma das maiores lideranças mundiais da política". Para o governador baiano, Lula tem uma visão de longo prazo, de estadista, que defende a continuidade das ações, mas não de uma maneira mesquinha.
"O presidente quer a continuidade, mas não tem a mesquinharia de achar que a continuidade é feita exclusivamente para os seus", afirmou Wagner, repetindo o que o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PMDB), havia dito um pouco antes. "Esta tem sido a sua aula de cidadania", acrescentou Wagner.
Elogios
O governador também fez elogios diretos à ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff. Disse que ela tem conduzido a implantação do PAC com serenidade, fazendo com que o programa tenha um direcionamento adequado. Sem fazer qualquer referência à futura candidatura de Dilma à presidência da República, Jaques Wagner encerrou o discurso afirmando que ela pode contar com ele na nova missão que assumirá a partir de agora.
Eduardo Paes (PMDB), prefeito do Rio de Janeiro, também elogiou Dilma durante seu discurso. O prefeito elogiou a "capacidade de diálogo e gerenciamento" de Dilma, disse que ela agora vai "partir para novas missões", referindo-se à candidatura à Presidência da República, e ressaltou que o sucesso da ministra no PAC I inaugurou uma nova forma de "continuidade" da política pública no Brasil. "Há continuidade de políticas públicas que têm transformado a vida das pessoas. A vida nas cidades melhorou, doa a quem doer. A vida no campo melhorou, doa a quem doer. Essas ações continuam porque melhoraram a vida", afirmou.
Eduardo Paes foi bastante aplaudido quando afirmou que "o PAC não olha a cor partidária". Disse também que governadores e prefeitos da oposição e da base aliada recebem verbas sem distinção. Conforme o prefeito do Rio de Janeiro, os bilhões direcionados à construção de creches, postos de atendimento à saúde, e infraestrutura esportiva nas escolas vão tratar de melhorar a qualidade de vida da população. "Não tenho dúvida de que o PAC é algo histórico".
Paes afirmou ainda que o momento é de festa porque as duas versões do PAC tratam de "algo que não é usual no Brasil, que é olhar para o futuro com planos". Segundo ele, a lógica do investimento urbano mudou nos últimos anos no Brasil, com o início da execução do PAC I. Deu como exemplo a destinação de quase RS$ 2 bilhões para a urbanização de favelas. "São intervenções que mudam a vida das pessoas", disse.
Protesto
Do lado de fora do Centro de Convenções Brasil 21, onde ocorre a cerimônia, cerca de 50 manifestantes se reuniram para protestar contra a indefinição no plano de carreiras dos funcionários do Ministério do Meio Ambiente e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Eles prometem fazer uma greve geral na área ambiental e prejudicar, assim, o andamento do PAC, com o atraso na liberação de licenças ambientais.
"Ha, ha, ha, o PAC vai parar", gritam, em tom de ameaça.
PAC 2 prevê diversas obras para o Rio Grande do Sul
Entre as novidades estão a expansão do Salgado Filho e a construção do Metrô Porto Alegre