Souleymane Bah foi transferido de avião na manhã desta sexta-feira de Cascavel, no Paraná - onde recebeu atendimento na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Brasília - para o Rio de Janeiro e ainda não há previsão de qualquer informação sobre os resultados dos exames que, segundo o professor especializado em doenças infecciosas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Edimilson Migowiski, deve ter o diagnóstico realizado por uma unidade da Fiocruz em Belém, no Pará. "Esse foi o desenho que foi feito. Tratar o paciente no Rio de Janeiro e mandar o material para confirmar ou descartar em Belém do Pará. A Fiocruz é uma casa clássica em relação a doenças infecciosas. O Instituto é um hospital que tem este perfil e esta finalidade. Foi bem escolhido e é um dos mais importantes do país ", explicou em entrevista.
De acordo com o infectologista, embora o paciente não apresente todos os sinais de contágio da doença, o isolamento é necessário para evitar que a doença se espalhe pelo país. "Frente a elevada letalidade do ebola tem que se pecar pelo excesso. Se o paciente veio de uma área com circulação do vírus e chega aqui, mesmo que seja com sinal brando, com febre baixa e quadro clínico não tão exuberante quanto o ebola costuma se manifestar, ainda assim, acho que todo o rigor deve ser feito, no sentido de limitar o contato desse paciente com outras pessoas e mantê-lo isolado até que o diagnóstico seja confirmado ou descartado", informou. "Esse rigor da Saúde Pública para este caso me parece perfeito", disse.
Para o especialista, se for descartado o diagnóstico, a operação terá servido também para testar o esquema montado pelo Ministério da Saúde para o monitoramento de pacientes. "Torço para que não seja ebola e para que isto sirva basicamente como treinamento destas equipes envolvidas, para que se, por ventura, surgir algum caso confirmado, a gente tenha mais preparo e evite o risco de contaminação em nosso país", acrescentou.
Edimilson Migowski informou que até o momento não há medicamentos específicos para o tratamento de contaminação pelo ebola. Ele adiantou que está à disposição dos pesquisadores da Fiocruz para um trabalho conjunto nesta área. "Neste momento não existe medicamento específico. O que pretendo conversar com eles é sobre a possibilidade de alguns antivirais que a gente pode tentar lançar mão. A universidade não pode se distanciar em uma situação como esta. Tem que se aproximar. Se a Fiocruz, que é extremamente competente, e no meu entendimento, é o suficiente, achar que vale a pena conversar, eu me coloco à disposição. Somos entidades federais com a finalidade de promoção de saúde e interesse na pesquisa", esclareceu.
O africano Souleymane Bah, que é comerciante, nasceu no dia 1º de janeiro de 1967, tem o 1º grau completo e, de acordo com documento do Ministério da Justiça, fez o pedido de entrada no Brasil no dia 23 de setembro deste ano. Ele saiu da Guiné, passou por Marrocos, pela Argentina e de lá entrou no Brasil com destino a Cascavel.