Pandemia provoca aumento na produção de lixo doméstico e reciclável em Porto Alegre

Pandemia provoca aumento na produção de lixo doméstico e reciclável em Porto Alegre

O volume produzido só no mês de setembro é 3,1% acima da média da quantidade registrada de março a setembro

Cláudio Isaías

DMLU informou que em agosto e setembro não houve alteração significativa nos resíduos domiciliares

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A pandemia da Covid-19 fez com que a produção de lixo doméstico e reciclável de Porto Alegre tivesse um aumento desde o anúncio das medidas de isolamento social da população. As unidades de reciclagem da Capital perceberam um crescimento do lixo, principalmente o seco. A quantidade referente à coleta seletiva em setembro de 2020 está 3,1% acima da média dos valores do período da pandemia (março a setembro), mas 5,6% abaixo de setembro de 2019.

A área técnica do Departamento Municipal de Limpeza Urbana (DMLU) informou que em agosto e setembro também não houve alteração significativa nos resíduos domiciliares, coleta mista e do total enviado ao aterro sanitário. Em função do Coronavírus, nos três primeiros meses deste ano, a coleta seletiva da Capital teve um crescimento em relação ao mesmo trimestre de 2019, de 9,3%.

O isolamento social foi o responsável pelo aumento na geração de resíduos pelos porto-alegrenses. A média mensal de resíduo seletivo recolhido em Porto Alegre antes da pandemia era de 1,2 mil toneladas. Somente em março, foram recolhidos mais de 1,4 mil toneladas - o volume foi comparado à época de Natal, em que tradicionalmente aumenta a geração de lixo reciclável na cidade. Nas 16 unidades de reciclagem da Capital, a orientação dos recicladores é que a população faça a separação correta dos materiais. Na maioria das vezes, lixo seco ainda têm vindo misturado com o doméstico - resto de comida, fraldas e roupas.

A Cooperativa de Trabalhadores Autônomos das Vilas de Porto Alegre (Cootravipa) percebeu uma migração do Centro Histórico para os bairros onde as pessoas ficam mais concentradas em razão do distanciamento. O aumento na geração de resíduos é atribuído a diversos fatores, como o consumo de produtos e serviços solicitados pelos moradores, por meio de tele-entrega. Além disso, existe ainda o aumento da frequência da limpeza e organização do ambiente doméstico, novos hábitos de higienização e compras pelo sistema delivery.

Os resíduos orgânicos e o rejeito recolhidos são levados para a Estação de Transbordo, localizada na Lomba do Pinheiro, onde são descarregados em carretas e encaminhados ao Aterro Sanitário de Minas do Leão. Já os resíduos recicláveis direcionados à coleta seletiva são enviados para as 16 unidades de triagem existentes na cidade.

Um levantamento da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe) mostrou que o hábito de reciclar também deixa a desejar entre os brasileiros. Segundo a Abrelpe, 98% das pessoas ouvidas consideraram a reciclagem importante. No entanto, 75% não realizavam a separação dos resíduos.


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