Papagaio vai trabalhar no setor de assistência social do grupo, onde será auxiliar do Serviço de Assistência Social. Segundo o presidente da empresa, Cláudio Vogel, já era antiga a intenção de dar oportunidade a pessoas que praticaram algum delito. Na avaliação do empresário, cumprir pena é algo desumano.
Conforme Vogel, estas pessoas querem se redimir, ter uma vida nova e o empresariado não proporciona uma chance. "Vou ser um homem completo, mais feliz quando conseguir reintegrar essas pessoas. Pode ser 20, 10 ou apenas um voltando à família para ter uma vida normal de novo", salientou. Vogel emprega sete apenados. O projeto é dar emprego, por intermédio do Estado, outros 13 em Bom Princípio, e mais 80 em uma fábrica que está montada em São Sebastião do Caí.
Um fato da vida pessoal de Vogel é determinante para a sua disposição em ajudar detentos. Em 2008, o empresário conseguiu em Medellin um doador de fígado. O benefício foi possível graças a um juiz transplantado que havia condenado o traficante Pablo Escobar à prisão. O magistrado, jurado de morte, auxiliava pessoas de outros países a receberem doação de órgãos nos hospitais da Colômbia. Vogel considera ter nascido outra vez e quando voltou curado da insuficiência que desenvolveu com uma hepatite, resolveu pôr em prática o projeto que, segundo ele, havia planejado há 20 anos.
A escolha de Cláudio Ribeiro, segundo o empresário, é porque o apenado se arrependeu de seus crimes e, além disso, trata-se de uma pessoa inteligente, apta para desempenhar a sua função. Papagaio vai auxiliar na seleção de presos que vão atuar na empresa e também em palestras ao grupo contratado. O salário ainda depende de acertos, assim como a contratação aguarda aval do poder Judiciário.
O custo de um apenado é 25% menor do que se paga a um outro empregado. O salário é entregue à Susepe que encaminha o benefício ao preso. Além do valor mensal, a empresa de telhas paga R$ 200,00 a cada presidiário que não faltar ao serviço.