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Paralisação de médicos do IPE suspende 12 mil consultas no RS

Profissionais de quatro hospitais da Capital aderiram à greve

As entidades médicas e representantes dos hospitais do Rio Grande do Sul, credenciados ao IPE-Saúde, deixarão de atender cerca de 12 mil consultas e exames nesta quarta-feira. Mais de sete mil profissionais aderiram à paralisação em 57 hospitais do Estado, incluindo Ernesto Dornelles, São Lucas da Pontifícia Universidade Católica (PUC/RS), Santa Casa e Moinhos de Vento, na Capital.

De acordo com o presidente do Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers), Paulo de Argollo Mendes, a mobilização atinge toda a rede estadual, que presta assistência a mais de 1,1 milhão de beneficiários, principalmente, servidores civis e militares estaduais e seus dependentes. O ato serve de alerta à população que está sendo a mais prejudicada em função da defasagem da tabela de exames e atendimentos, desatualizada há 20 anos. “Queremos garantir a continuidade do IPE, pois, nesta situação, médicos e hospitais poderão até se descredenciar do Instituto, tamanha é a insatisfação deles”, explicou.

Já o presidente da Federação dos Hospitais e Estabelecimentos de Saúde do Rio Grande do Sul (Fehosul), Cláudio José Allgayer, afirma que o IPE-Saúde foi considerado pelos médicos como o plano com os valores mais baixos no setor suplementar. Em uma pesquisa realizada com dois mil profissionais, 37% deles se mostraram favoráveis à paralisação, tamanho o descontentamento. “As dívidas do IPE junto a hospitais e clínicas chegam a pelo menos R$ 50 milhões. Além disso, muitos procedimentos médicos, que hoje são necessários, nem existem nesta tabela, como, por exemplo, exames de radioterapia e anatomia patológica”, destaca.

O presidente do Conselho Regional de Medicina (Cremers), Rogério Aguiar, lembrou que o Grupo Paritário, que faz a interlocução com o IPE, e é composto ainda pela Associação Médica do Rio Grande do Sul (AMRIGS), Federação das Santas Casas e dos Hospitais Beneficentes, Religiosos e Filantrópicos do Estado, além de Simers e Fehosul, foi criado através de uma lei, durante o governo de Germano Rigotto. “Desde 2010, as reuniões do nosso grupo com o IPE diminuíram consideravelmente. Este ano realizamos apenas um encontro e, na ocasião, não tivemos oportunidade de expor nossas demandas. O assunto ficou em torno de situações burocráticas e administrativas do IPE”.

Após a entrevista coletiva, o grupo protocolou em cartório uma notificação extrajudicial com prazo de 30 dias para o IPE-Saúde apresentar soluções às questões pendentes, como pagamento de dívidas existentes desde 2005 com os credenciados e sinalização clara de reajuste de honorários médicos e dos procedimentos.

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