* Com informações da repórter Angélica Silveira
Passados quatro dias do início da paralisação dos caminhoneiros, os consumidores de Pelotas, no Sul do Estado, começaram a sentir os reflexos do protesto. Desde o início da manhã desta sexta-feira os consumidores fazem filas nos postos de combustíveis da cidade, onde chegavam a passar cerca de 30 minutos esperando para abastecer.
Conforme o proprietário de dois postos no município, Marcelo Rienke, a maioria dos 70 estabelecimentos do setor está sem combustível. "No nosso caso, como em vários outros postos, recebemos às 9h desta sexta-feira e a tarde já não tinha mais", lamentou.
Protesto pode prejudicar setores da avícola e de suínos no RS
Não apenas os postos de combustíveis têm sido afetados. Os setores avícola e de suínos também sofrem com os efeitos da paralisação dos caminhoneiros. Segundo o presidente do Sindicato das Indústrias de Produtos Suínos do Rio Grande do Sul, Roberto Goulart, os exportadores podem suspender abates no Estado a partir de segunda-feira caso os bloqueios em rodovias permaneçam.
Goulart afirmou que com os bloqueios as indústrias não conseguem escoar a produção e, com as câmaras frigoríficas e contêineres lotados, não há como manter os abates. “Algumas indústrias já reduziram o ritmo de abate, mas com a impossibilidade de enviar os contêineres para os destinos, e de receber os vazios, a solução é a suspensão dos processos”, sustentou
Outro problema, segundo o dirigente, é o custo de logística de exportação, que é cobrado mesmo que os contêineres não cheguem ao porto. Além disso, as indústrias descumprem compromissos com os importadores, o que implica em um risco muito alto para a credibilidade do país no mercado internacional.
Em comunicado nesta sexta-feira, o Sindicato da Indústria de Produtos Avícolas no Rio Grande do Sul (Sipargs) afirmou que a situação, que já não era boa no setor, tem se agravado com a crise. “O momento é delicado e o agronegócio que tem sido oxigênio da economia gerando empregos e divisas que contribuem para sustentação do Estado e do país é novamente prejudicado”, critica o comunicado.
“Nossas agroindústrias, cooperativas e produtores não irão suportar mais um entrave que paralise por um ou dois dias as atividades, pois ainda estamos sob os danos da operação carne fraca, distúrbios políticos e aumentos drásticos de combustíveis”, completa.
Protesto em 26 pontos do Estado
De acordo com a Polícia Rodoviária Federal (PRF), até às 17h desta sexta, há 23 pontos de protesto dos caminhoneiros pelas estradas do Estado. O Comando Rodoviário da Brigada Militar (CRBM) informou que o ato também continua nos quatro locais registrados durante a manhã desta sexta. Totalizando 27 paralisações da categoria no Estado.
O protesto segue pelo quarto dia consecutivo contra o aumento do PIS/Cofins, que elevou o preço do diesel no país. Durante os bloqueios, apenas a passagem de caminhões é impedida.
Veja onde ocorrem protesto nesta sexta-feira:
• Ijuí, BR 285, km 461
• Júlio de Castilhos, BR 158, km 265
• Cruz Alta, BR 158, km 193
• Três Passos, BR 468, km 99
• Palmeiras das Missões, BR 468 km 0
• Carazinho, BR 285, km 337
• Mato Castelhano, BR 285, km 273
• São Borja, BR 285, km 668
• Rosário do Sul, BR 290, km 482
• Pelotas, BR 392, nos kms 62
• Pelotas, BR 392, km 66
• Camaquã, BR-116, km 401
• Cristal, BR 116, km 427
• Rio Grande, BR 392, km 18
• São Lourenço do Sul, BR 116, km 455
• Santa Maria, BR 392, km 350
• São Pedro do Sul, BR 287, km 282
• Dom Pedrito, BR 293, km 247
• Bagé, BR 293, km 182
• São Sepé, BR 392, km 297
• Guaíba, BR 116, km 299
• Pantano Grande, BR 290, km 215
• Caçapava do Sul, BR 392, km 258
• Tapejara, ERS 463, km 31
• Ronda Alta, ERS 342, km 102
• Palmeira das Missões, ERS 569, km 0
• Manoel Viana, RSC 377, km 364
Paralisação dos caminhoneiros gera falta de combustíveis nos postos em Pelotas
Setores avícola e de suínos começam a sofrer impactos do protesto