Apenas na Santa Casa, cerca de 850 atendimentos eletivos, entre consultas, exames e cirurgias, deixarão de ser realizados. O presidente da Federação das Santas Casas e Hospitais Beneficentes, Religiosos e Filantrópicos do Rio Grande do Sul, Julio Dornelles de Matos, fala que muitos já foram reprogramados para dias posteriores. Ele garante que os pacientes que o hospital não conseguiu contatar para efetuar a troca serão atendidos normalmente na segunda-feira.
Matos explica que o objetivo da mobilização é alertar a população sobre as dificuldades enfrentadas nos hospitais filantrópicos e discutir com os gestores e com o poder público uma solução definitiva. Ele relata que a rede responde por aproximadamente 70% dos atendimentos realizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) no Estado. Com o endividamento, que chega a R$ 12 bilhões, o dirigente teme que possa haver falência do sistema.
Conforme o presidente, isso ocorre em razão do subfinanciamento do governo federal, já que apenas 60% do custo de cada atendimento é coberto. O restante é obtido com auxílio do governo estadual e dos municipais, com convênios e através de medidas como redução de salários e busca de empréstimos bancários.
Dessa forma, a previsão é que até o fim do ano as dívidas passem de R$ 15 milhões na rede do Estado. A maior parte é com o sistema financeiro, referente à concessão de empréstimos. O restante se divide entre fornecedores e dívidas tributárias. O déficit anual chega a R$ 400 milhões, no Rio Grande do Sul, e a R$ 5,5 bilhões, em nível nacional.
A Federação espera ter apoio do governo federal para obtenção de reajuste de 100% sobre os cem procedimentos de média e baixa complexidade, que correspondem a 84% das internações. Segundo Mato, o impacto estimado da medida para a União é de R$ 6,8 bilhões, o que, na opinião do dirigente, não significa um volume expressivo, se comparado com a arrecadação anual - que ultrapassa R$ 1 trilhão.
Além disso, as entidades querem a anistia das dívidas relacionadas a tributos ou contribuições, transferência de dívidas com bancos privados para públicos e edição de linhas de crédito de longo prazo com juros subsidiados. O governador Tarso Genro se comprometeu a levar as demandas à presidente Dilma Rousseff ainda no início de abril.