Cerca de 80% do parque, que ao todo possui 242 mil hectares, já estão aptos a receber excursões. As trilhas foram retomadas há uma semana. Segundo a diretora de turismo da região de Magalhães, Andrea Téllez Rubina, cerca de mil turistas estão visitando Torres del Paine diariamente, o que indica que a atividade turística está voltando ao normal. Ela ressalta ainda que ações de reflorestamento já tiveram início. “Há uma grande quantidade de pampa e isso se recupera rapidamente, em um ou dois anos”, confia. “A paisagem mudou de cor, mas é igualmente bonita”, define Andrea.
O gerente comercial do Hotel Lago Grey, Rodrigo Bustamante, lembra dos momentos de tensão ocorridos durante o incêndio. Como o fogo atingiu o acesso ao estabelecimento, que está situado dentro do parque, não era possível sair e nem entrar no local. “Foi um momento muito difícil, mas graças a Deus todos agiram muito bem para poder controlar o fogo”, conta. De acordo com ele, a empresa teve prejuízos porque precisou fechar as portas por duas semanas. “O fogo não chegou a afetar as instalações do hotel, mas ficamos fechados por precaução e porque o caminho estava inacessível”, acrescenta.
O incêndio ocorrido em dezembro foi provocado por um turista israelense. O governo de Israel foi cobrado a participar da recuperação do parque e anunciou a doação de 180 mil mudas de árvores nativas. Grandes incêndios já haviam atingido a região em 1985 e 2005, iniciados por um turista japonês e um checo, respectivamente.
O Parque Nacional Torres del Paine foi criado em 1959 e conta com o título de Reserva da Biosfera pela Unesco. A área possui infraestrutura de hotelaria e bosques para caminhadas, tudo isso rodeado por uma paisagem natural formada por grandes montanhas, rios, lagos e cascatas, que impressionam os turistas. Também é possível avistar muitos guanacos (parentes das lhamas) e ñandus (avestruz). A maioria dos visitantes chega, por terra, pela cidade de Puerto Natales, que fica a 115 km do parque.
O parque foi o destino final da viagem iniciada no dia 27 de janeiro pela Patagônia Chilena e Terra do Fogo. O Correio do Povo percorreu o trajeto a convite do Serviço Nacional de Turismo do Chile (Sernatur), tendo percorrido, a bordo do cruzeiro Stella Australis, pontos como o Estreito de Magalhães, o Cabo Horn e Puerto Williams, a cidade mais austral do mundo. O objetivo do governo chileno é aumentar o número de brasileiros que visitam o sul do país.