Geral

Passageiros se dividem ao comentar sobre a greve

Aposentada cadeirante precisou remarcar consulta médica do filho por falta de transporte

Terceiro dia de greve teve filas pela espera de transporte
Terceiro dia de greve teve filas pela espera de transporte Foto : Paulo Nunes
No terceiro dia de greve e com 100% da frota de ônibus ausente das ruas, os porto-alegrenses sentiram na pele os efeitos da paralisação. Para quem não tem carro, a única alternativa foram os lotações, os quais foram liberadas para transportar, também, passageiros em pé. O aposentado Martins Velasco, 65, aguardava o lotação com tom de desconfiança sobre a atual situação de greve. “Eu não sei se o que está acontecendo é um conluio com os empresários e os trabalhadores, ou se é realmente uma greve a favor da classe. Enquanto não temos uma resposta, sou obrigado a esperar cerca de uma hora pelo transporte”, desabafa.

A aposentada Carla Sampaio enfrenta um drama maior. Cadeirante, perdeu parte das pernas em um acidente de carro e ficou sem alternativas durante a greve. Na terça-feira, perdeu a consulta do filho, Henrique, de dez meses, por não conseguir se deslocar até um hospital. “O único transporte que eu utilizava era o ônibus, já que nem todas os lotações têm espaço para cadeirante e de táxi, eu não ando”. Carla, foi agredida verbalmente por um taxista no final de dezembro devido a sua deficiência. “Quando eu falo que sou cadeirante, a maioria dos taxistas se nega a me buscar. Eu simplesmente não tenho escolha”, disse.

A consulta do filho teve que ser remarcada para fevereiro. Enquanto espera, Carla torce para que a situação já esteja normalizada. “Se os ônibus não estiverem funcionando até a data, perderei novamente a consulta”.



Bookmark and Share