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Patch Adams arranca sorrisos e faz críticas ao excesso de consumo

Médico que ficou famoso no filme de 1998 fez palestra em Porto Alegre

Patch Adams arranca sorrisos
Patch Adams arranca sorrisos Foto : Arthur Puls
Patch Adams arranca sorrisos. Essa foi uma das técnicas que o tornaram reconhecido internacionalmente, por fazer um atendimento diferenciado aos pacientes, por meio do riso. Porém, engana-se completamente quem pensa que a sua visão do mundo é tão feliz. Ao contrário, é bem mais crítica, principalmente em relação ao descaso dos governos com a saúde e a violação dos direitos humanos.

As opiniões surgiram durante passagem por Porto Alegre, onde realizou palestras a voluntários do Hospital São Lucas da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), do Hospital Santo Antônio e Clínicas, além dos centros da Kinder e da Associação de Assistência a Criança Deficiente (AACD). A visita foi um convite de Maurício Perondi Bagarollo, que criou uma organização não governamental chamada “Doutorzinhos”, que reúne e capacita voluntários para atuarem como palhaços nos hospitais.

Apesar da fantasia e do cabelo grisalho parcialmente pintado de azul e um bom humor fenomenal, Adams foi crítico e se emocionou ao falar sobre o seu trabalho. Chorou ao lembrar que, num mundo cada vez mais movido pelo consumo e riquezas, mais de duas mil crianças morreram em seu colo e ele não teve como ajudar. “Nunca agimos como uma humanidade. A lógica do consumo diz que você deve ter uma televisão, um carro, um computador. Tudo é poder. E isso não é humanidade. Deveríamos estar vivendo a arte, o amor e a vida. Não há nada mais valioso que o amor. Essa é a verdadeira revolução que precisamos”, afirmou.


Patch Adams arranca sorrisos e faz críticas ao excesso de consumo | Foto: Arthur Puls

Para ele, diferente do que a maioria das pessoas pensa, a riqueza da vida não está no dinheiro ou bens, mas na capacidade de compaixão e generosidade. Patch Adams criticou ainda duramente a concentração de renda no mundo, em que as três pessoas mais ricas têm mais dinheiro do que os 48 países mais pobres. E não poupou nem os brasileiros. “As pessoas estão mais preocupadas com a bola no gol do que com as crianças que são violadas. Se você está sentado vendo isso significa que aceita. Não é possível aceitar que um jogador ganhe mais do que um professor. Isso mostra que não estamos preocupados com o futuro”.

O filme “Patch Adams - O Amor é Contagiante”, estrelado por Robin Williams em 1998, tornou o seu trabalho ainda mais popular no mundo. Mesmo assim, o verdadeiro médico avaliou a obra com uma linguagem de “jardim de infância” e reforçou que a sua atividade vai bem mais além do que mostrado no longa-metragem. “As pessoas estão famintas por histórias de amor. Então vivam esse amor, compartilhem esse amor com as suas famílias e com o outro e seja feliz”, recomendou.

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