Nesse universo encontra-se a Escola Estadual Ensino Fundamental Alvarenga Peixoto, no bairro Arquipélago, em Porto Alegre, que funciona num prédio provisório desde a sua inauguração, há 66 anos. “Não temos telas e muros de proteção. A cozinha e o refeitório encontram-se em condições lamentáveis. Atendemos 800 alunos praticamente sem estrutura administrativa”, salientou a diretora, Doris Alves.
Segundo a diretora, a área administrativa da escola funciona em um casa anexa, construída para abrigar um PM Residente. “Não aguentamos mais ficar fazendo reformas para remendar os problemas. Se empurrar, o prédio cai”, advertiu. Doris disse que a pressão da comunidade é muito forte, pois a situação é realmente precária. “Somos alvos constantes de vandalismo protagonizados muitas vezes pelos alunos que buscam dinheiro para comprar crack. Na semana passada, foram quatro ataques. Levaram computadores, televisões e materiais de professores."
O diretor substituto do Departamento Administrativo da Seduc, Roberto Adornes, disse que espera encerrar o ano com reparos concluídos em 700 escola. "Em 560 instituições os trabalhos já foram finalizados." Ele reconhece que a situação da estrutura física é grave. “É inadmissível termos 1.521 prioridades número um”, desabafou. Em 2012, ele acredita que terá um diagnóstico completo do quadro, por meio do Plano de Necessidade de Obras (PNO). A promessa é que até 2014 todas as instituições de ensino vinculadas à Seduc estarão revitalizadas.
“Vamos interromper o ciclo de consertos pontuais que não resolvem nada”, disse. Existem outras escolas com graves problemas. Adornes ressaltou que a estrutura atual do Estado não permite a quantidade e agilidade das obras necessárias. “Faltam recursos e profissionais como engenheiros e arquitetos”, reconheceu Adornes. A meta é aplicar R$ 1 bilhão em melhoria na estrutura física das escolas estaduais até 2014. A audiência foi proposta pelo deputado estadual Carlos Gomes (PRB), da Comissão de Educação, Cultura, Desporto, Ciência e Tecnologia.