Oito das nove casas destruídas pelo incêndio na noite de quinta-feira na ilha do Pavão, em Porto Alegre, estavam abandonadas e vazias. Outras moradias na área encontram-se na mesma situação. Segundo a vizinhança, que não quer se identificar, os moradores deixaram o local em decorrência da guerra do tráfico de drogas na região. Muitos especulam até que o incêndio pode ter sido criminoso e lembraram que recentemente outras duas moradias também foram consumidas pelo fogo. Entre os escombros estavam até carcaças de três veículos.
Na única casa em que havia uma família, o prejuízo foi total exceto, sendo queimados os móveis, eletrodomésticos e roupas, além de celular, entre outros pertences. No local residia Ana Lúcia Lopes de Almeida, 47 anos, com o marido e dois filhos. “Ela perdeu tudo. Havia feito até um rancho de R$ 200,00 em alimentos”, lamentou a filha Deise Lopes de Almeida, 16 anos, cuja casa fica ao lado e foi atingida parcialmente pelas chamas. “Foi muito desespero”, recordou, acrescentando que conseguiram salvar dois cachorros e um passarinho. “Nessa hora tudo é da família”, explicou.
Ela disse que desconhece o motivo dos moradores da área abandonarem as casas. “Acho que quiseram ir embora”, observou. Ela acredita que a origem do incêndio foi um curto-circuito. “É muito fio, muito gato”, justificou, referindo-se ao emaranhado de fiação da rede de energia elétrica na área. A família aguardava agora ajuda na reconstrução da moradia, como material de construção, móveis e roupas. “O que trazerem será bom nessa hora”, admitiu.
Polícia Civil e IGP
Pela manhã, a Polícia Civil e o Instituto-Geral de Perícias estiveram no local. Uma equipe da Divisão de Limpeza e Coleta do DMLU também avaliava a situação. André Carolino prevê que, na próxima segunda-feira, será realizado um mutirão de retirada dos escombros para deixar limpo o local. “Vamos aguardar a retirada por parte dos moradores do que pode ter sobrado do incêndio”, esclareceu, acrescentando que o trabalho pode demorar até três dias. Por sua vez, a Defesa Civil e Fundação de Assistência Social e Cidadania já estão mobilizadas para auxiliar a família que teve a casa destruída.
O incêndio, considerado de grandes proporções, ocorreu na rua A da Ilha do Pavão. Duas pessoas ficaram feridas sem gravidade e receberam atendimento médico. O 1º Batalhão de Bombeiros Militar (1ºBBM) mobilizou seis viaturas no combate ao o fogo, cujo clarão podia ser visto à distância. Mais de 70 mil litros de água foram empregados na extinção das chamas. A Polícia Rodoviária Federal e a concessionária Triunfo/Concepa prestaram apoio já que a BR 290 fica ao lado. O trânsito na rodovia permaneceu inclusive congestionado no trecho, nas imediações do km 98, durante o atendimento da ocorrência.
Perícia analisa casas destruídas por incêndio na Ilha do Pavão
Oito das nove casas destruídas pelo fogo estavam vazias