Geral

Perícia e depoimentos devem apontar causas do incêndio em boate de Porto Alegre

Proprietários do Cabaret vão depor nesta segunda-feira

Proprietários do Cabaret vão depor nesta segunda-feira
Proprietários do Cabaret vão depor nesta segunda-feira Foto : André Ávila
Baseado na perícia e em depoimentos, o titular da 17ª Delegacia de Polícia de Porto Alegre, Hilton Muller, pretende esclarecer as causas do incêndio na casa noturna Cabaret, ocorrido no sábado, na avenida Independência, na Capital. Ele abriu um inquérito no domingo para apurar o fato. “Quando é um incêndio desta natureza, sempre é possível que seja criminoso, mas ainda não podemos confirmar”, declarou. Além dos dois proprietários, duas testemunhas são importantes para o esclarecimento do caso.

Um dos sócios do estabelecimento, Jeremy Crawshaw, reafirmou que a parte elétrica do local havia sido refeita após uma interdição em 31 de janeiro, por suposto risco de incêndio. “Só o laudo pode dizer o que causou. Os peritos passaram três horas lá dentro. Por enquanto é tudo suposição, mas não acredito que tenha sido a parte elétrica”, disse. Crawshaw mencionou que a casa noturna não tinha seguro. “Normalmente não se faz seguro, porque o valor é muito alto”, explicou. O prejuízo é estimado em cerca de R$ 500 mil.

Após a tragédia na boate Kiss, a Secretaria Municipal da Produção, Indústria e Comércio (Smic) interditou diversas casas noturnas na Capital, incluindo o Cabaret. Na época em que o estabelecimento foi fechado, o titular da Pasta, Humberto Goulart, afirmou que a decisão foi motivada por fatores de risco de incêndio como pé-direito baixo, isolação acústica composta por materiais inflamáveis, fios desencapados e saída de emergência obstruída.

Algum tempo depois, o Cabaret voltou a abrir as portas. Conforme Crawshaw, toda a documentação necessária estava regular. Porém, nesse domingo, após o incêndio, Goulart discutiu com um dos donos da danceteria e chegou a dizer que a estrutura era uma “pocilga”. “Ele falou isso com base em uma avaliação prematura. O secretário foi ver a casa quando ela ainda não estava pronta”, informou Jeremy Crawshaw.

Segundo a Smic, apenas um quarto das mais de cem casas noturnas vistoriadas pela força-tarefa da prefeitura estão em condições de funcionamento. Do total, 18 já foram vistoriadas pelos fiscais da secretaria e Corpo de Bombeiros e apenas três ainda não se adequaram à legislação. As demais são consideradas “funcionando”, porque apresentaram alvará dos bombeiros, mas não se enquadram como casa noturna. Outras 26 encerraram as atividades.

Bookmark and Share