Na manhã de sábado de céu ensolarado, a Defesa Civil de Porto Alegre monitorou a situação do nível do Guaíba em decorrências das recentes fortes chuvas que atingiram o Rio Grande do Sul. De acordo com o agente Márcio Cardoso, a medição nas ilhas apontou 1,94 metros. Já o Centro Integrado de Comando-Metroclima da Prefeitura de Porto Alegre registrava 2,10 metros no Cais do Porto, com “tendência de baixa e retornar ao nível de atenção”. No final de sexta-feira, as águas estavam estabilizadas em 2,13 metros. “O nível do Guaíba vai continuar alguns dias com a altura que está agora. O período crítico passou por enquanto, mas tem muita água passando”, observou, acrescentando que a ocorrência de novas chuvas faz com que o monitoramento seja permanente.
No extremo norte da Ilha Grande dos Marinheiros, os moradores estavam apreensivos com o anúncio do retorno das chuvas. Cerca de dois quilômetros da rua Nossa Senhora Aparecida, na margem do rio Jacuí que desemboca no Guaíba, estavam submersos, inundando as moradias no entorno. Eliane Santarém, 50 anos, constatou que o avanço das águas havia parado de sexta-feira para sábado, mas estava preocupada com um novo temporal. Segundo ela, a água embaixo da casa, que encontra-se em uma posição elevada em relação ao solo, trouxe muita umidade que afeta a saúde. Mãe de duas crianças pequenas e cuidando de um neto, ela contou que uma delas adoeceu e teve bronquite. “As crianças estavam tudo sem roupa. Não tinha mais roupa seca. Agora é colocar na janela e aproveitar o sol para secar. Se tiver de colocar as roupas no telhado, eu subo”, afirmou, enquanto caminhava no meio da água. Preocupada com a leptospirose, Eliane Santarém disse que “estava difícil” a situação”. Lembrou que pescou peixe em volta da própria casa para a família comer pois não tinha como sair da moradia cercada de água.
Já Iara da Silva, 61 anos, olhava a correnteza do rio e manifestava medo de que subisse ainda mais. A casa dela não foi atingida por enquanto. “Vou controlando, levantando de noite e olhando se subiu a água”, relatou. Até o momento, os móveis não foram erguidos do chão dentro da residência, providência que será adaptada caso perceba o avanço da inundação.
"Período crítico já passou", diz Defesa Civil sobre Guaíba
Órgão seguirá monitorando nível do rio por conta da possibilidade de novas chuvas