As chuvas estão abaixo da média histórica dos últimos 40 anos desde o mês de agosto de 2010, segundo o governo do Estado. A estimativa é de que o déficit médio gire em torno de 33%. "Estamos na época do entoure e, devido à falta de alimentos, pelo menos 50% das fêmeas não estão entrando no cio", explicou o agrônomo do escritório regional da Emater Erone Londero. O técnico aponta que somente em Bagé essa situação irá causar um prejuízo de aproximadamente R$ 31 milhões. "Na próxima primavera nascerão a metade dos terneiros esperados", explica. Há ainda 15% de perda corporal no rebanho.
Na agricultura, a situação também é preocupante, segundo o governo. No milho, houve redução de 60% na área prevista. No que foi plantado, a expectativa é de que ocorram perdas superiores a 50%. As lavouras de soja e sorgo apresentam uma diminuição média de 30%, mas Londero estima que poderão ultrapassar 50%.
Outra situação que preocupa as prefeituras é a falta de água para o consumo humano. E, ainda, os problemas de saúde que começam a ser verificados, especialmente nos idosos e crianças, que apresentam vômitos e diarreias, como informou o prefeito de Pedras Altas, que é médico, Gabriel Lellis Junior.
Um dos resultados da reunião foi a proposta apresentada por Mainardi. O titular da Agricultura sugeriu que o Fórum de Combate aos Efeitos da Estiagem e Manejo das Águas, que reúne representantes de Aceguá, Candiota, Hulha Negra, Pedras Altas e Pinheiro Machado, lidere uma discussão regional para elaborar projetos de médio e longo prazo para enfrentamento das estiagens e incremento da produção agropecuária.
"O governo do Estado quer liderar um grande movimento que aponte as demandas, elabore os projetos e busque os financiamentos necessários para a elaboração de uma política de estado para esta questão", informou Mainardi. Ainda conforme ele, nos tempos atuais não é mais possível continuar executando apenas políticas de convivência com as estiagens. "Precisamos de programas estruturantes, que resolvam as situações que vivenciamos nas últimas décadas e que apontem para um incremento da produção de forma sustentável econômica e ambientalmente", disse.
Prejuízos
Segundo levantamento apresentado pelos municípios, as perdas econômicas na região, até o momento, são as seguintes:
Candiota: R$ 10 milhões
Herval: R$ 8 milhões
Pedras Altas: R$ 15 milhões
Bagé: R$ 33 milhões
Pinheiro Machado: R$ 10 milhões
Hulha Negra: R$ 9 milhões
Piratini: R$ 15 milhões
Santana do Livramento: R$ 40 milhões