Geral

Permuta de linhas de ônibus em Porto Alegre é alvo de investigação

Ministério Público de Contas avalia transferência entre empresas sem prévia licitação

Transportes Sentinela funcionava na Guilherme Alves, perto da Ipiranga
Transportes Sentinela funcionava na Guilherme Alves, perto da Ipiranga Foto : Paulo Nunes
A permuta de linhas de ônibus de Porto Alegre entre os atuais permissionários privados é alvo de apuração do Ministério Público de Contas do Tribunal de Contas do Estado (TCE). O órgão deverá se manifestar sobre o assunto na segunda-feira. Um dos temas que gera dúvidas é a prática de simples transferência de linhas pelas empresas que integram o sistema sem prévia licitação. O ato tornou-se rotineiro ao longo dos anos. A primeira licitação da história da cidade foi publicada apenas em março deste ano.

O último caso de repasse interno no sistema ocorreu em 2011, quando a Transportes Sentinela faliu. A empresa operava três linhas - Jardim Ipê, Bela Vista e Morro Santana - que foram distribuídas pela prefeitura entre operadores do consórcio Unibus. O município classificou a situação da Sentinela como "extinção da concessão", possibilidade prevista em lei, e optou por repassar as permissões de operação das linhas da Sentinela para o consórcio do qual fazia parte.

A empresa fechou as portas e demitiu os funcionários em junho de 2011. A garagem e os cerca de 20 veículos foram a leilão para pagar as indenizações de motoristas e cobradores. Até hoje, os antigos donos, a família Schwez, respondem a processos judiciais trabalhistas.

O que diz a lei

A Constituição de 1988 exige prévia licitação para a concessão de serviços públicos. A lei 8.666, de 1993, instituiu normas para essas licitações e contratos feitos pela administração pública. Em 1995, entrou em vigor lei específica (a 8.987) para concessões e permissões. De acordo com o artigo 35 dessa lei, a concessão será extinta em caso de falência ou extinção da empresa concessionária, retornando ao poder concedente, nesse caso, para a prefeitura da Capital.

Voz da prefeitura

O expediente administrativo referente ao encerramento das atividades da Sentinela está arquivado na Procuradoria-Geral do Município. A Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC), responsável pela gestão da circulação dos ônibus, informou que em 21 de junho de 2011 foi protocolada manifestação da empresa no sentido de não prestar mais o serviço público de transporte coletivo na Capital. O proprietário da Sentinela justificou deficiências econômicas e operacionais para atender ao serviço.

Naquela oportunidade, a EPTC encaminhou a documentação e as providências até então adotadas à Procuradoria-Geral do Município, a fim de que não houvesse prejuízo e descontinuidade dos serviços prestados à população. "Foi determinada a operação provisória das linhas pelo consórcio Unibus, da bacia operacional correspondente à empresa Sentinela, em caráter precário e transitório até a finalização da licitação de ônibus", explicou a gerente jurídica da EPTC, Giovana Hess.

Bookmark and Share