A relação entre a prática do surfe e a pescaria profissional no Litoral Norte já fez vítimas no passado mas, agora, após muita conversa e algumas medidas, está num clima de paz e tranquilidade. Essa pelo menos é a esperança dos envolvidos na questão, que de um lado envolve profissionais que buscam o sustento e, por outro, jovens que buscam o mar para o lazer.
Fatos como a morte de praticantes do esporte engatados em rede de pesca são menos corriqueiros, embora ainda aconteçam. O ano de 2009 está terminando com o saldo de uma vítima fatal, até agora. O surfista Lucas Boeira morreu em Capão Novo, em abril, o que fez recrudescer os debates e providências. Graças a esse nível de convivência, a esperança de todas as partes envolvidas é de que não aconteçam acidentes neste veraneio.
Conforme o presidente da Federação Gaúcha de Surf (FGSurf), Orlando Carvalho, ao longo de 20 anos, 48 pessoas morreram por haver redes em locais de surfe ou pela invasão de surfista em local de pesca. O problema gerou conflitos entre as partes. Tanto um lado como o outro cobravam das autoridades medidas que impedissem a ocorrência desses acidentes.
Atualmente, segundo o comandante do 1 Batalhão Ambiental da Brigada Militar (1 BABM), major Luiz Eduardo Ribeiro Lopes, existem locais delimitados para a pesca e para o surfe em todo o litoral e esses pontos têm sido respeitados, principalmente pelos pescadores profissionais. "Claro que alguém eventualmente pode invadir a área do outro, mais por desconhecimento do que por interferência mas, de um modo geral, as delimitações têm funcionado", garantiu o comandante.
Para o presidente da FGSurf, o ideal é ocorrer como já se faz em Xangri-Lá. No município, surfistas doaram dois barcos aos pescadores, para que pudessem levar as redes para alto mar, abrindo área maior para o surfe. Carvalho acredita que os profissionais da pesca ganham com a medida, uma vez que poderiam ter uma pescaria com melhor valor agregado. Os surfistas, por sua parte, podem ter tranquilidade e espaço para a prática do esporte.
Lei determina uso de placas de delimitação
A Lei do Surfe, sancionada em 2004 pelo governador Germano Rigotto, estabelece limites a áreas para pesca, desporto, lazer e recreação, que devem ser fiscalizados pela BM. A proposição da lei, de Sanchotene Felice, hoje prefeito de Uruguaiana, determina a demarcação dos espaços com placas visíveis afixadas nas áreas de circulação nas orlas marítimas, lacustres e fluviais do RS. O descumprimento terá multa de 100 Ufirs e dobra se reincidir.
Pescaria e surfe em tempos de paz
Locais delimitados para para trabalho e lazer evita mortes no mar