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Pesquisa mapeia acumuladores de animais em Porto Alegre

Estudo mostrou média de 36 bichos por casa, em um total de 1.379 entre cães, gatos, patos e pombos

Estudo mostrou média de 36 bichos por casa, em um total de 1.379 entre cães, gatos, patos e pombos
Estudo mostrou média de 36 bichos por casa, em um total de 1.379 entre cães, gatos, patos e pombos Foto : Ari Teixeira / PMPA / Divulgação CP
O grupo de pesquisa Avaliação, Reabilitação e Interação Humano-Animal da PUCRS, coordenado pela professora Tatiana Irigaray, do curso de Psicologia, divulgou dados preliminares de um estudo inédito que mapeia acumuladores de animais em Porto Alegre. O trabalho é realizado em parceria com o Ministério Público do RS (MP-RS) e a Secretaria Especial dos Direitos Animais (Seda).

O objetivo é criar um protocolo de identificação, tratamento, prevenção e intervenção para o transtorno de acumulação de animais, que auxilie os pacientes, os promotores e profissionais da área. Conforme a Associação Americana de Psiquiatria, desde 2013, esse transtorno passou a ter uma categoria própria – antes, era apenas um sintoma do Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) e, agora, é considerado manifestação especial do Transtorno de Acumulação.

Durante o levantamento, entre agosto de 2015 e maio de 2016, foram visitadas 64 residências de possíveis acumuladores em Porto Alegre. No total, 48 pessoas receberam a equipe, mas somente 38 aceitaram participar. Os dados surpreendem. Há uma média de 36 animais por casa, em um total de 1.379 animais entre cães, gatos, patos e pombos. “Há um caso de um senhor que chegou a ter 170 cachorros e gatos em sua casa”, conta a pesquisadora. Segundo ela, 28 acumuladores são mulheres, sendo 19 com mais de 60 anos, e dez homens, cinco deles com mais de 60 anos.

Dados coletados revelam que existem três subtipos de acumuladores de animais. O salvador/missionário, que acredita precisar salvar os animais e, por isso, os recolhe em excesso, porém tem dificuldade em reconhecer as más condições gerais dos bichinhos; o sobrecarregado/desorganizado, que perde o controle em relação à reprodução dos animais, reconhece o problema, mas tem dificuldade em doá-los; e o Perverso, que os têm para ganhos secundários, como benefícios de instituições governamentais e não governamentais ou da comunidade.