Mais de 70% dos gaúchos têm nas atitudes dos outros, e não no próprio comportamento, a explicação para o caos no trânsito dentro da cidade em que vivem. Para 75,9%, a imprudência dos motoristas é a maior preocupação. Foi o que mostrou um levantamento encomendado pelo Detran em 20 cidades. A Pesquisa de Análise do Trânsito 2010 ouviu 2.068 pessoas, entre especialistas, motoristas profissionais e cidadãos, condutores ou não. A conclusão se assemelhou à de uma pesquisa recente da EPTC sobre a mentalidade do porto-alegrense: a de que a culpa não é dele.
A maioria dos entrevistados disse não cometer imprudências (69,1%), não ter se envolvido em acidentes (97,6%) e nem ter sido multado nos últimos 12 meses (90,6%). Na hora de avaliar o trânsito da cidade, porém, 88% consideram os motoristas imprudentes e 44,6% não se sentem seguros dirigindo.
O levantamento também ratificou os dados de uma pesquisa da Ufrgs sobre a Lei Seca com os frequentadores de bares de Porto Alegre. Quando os gaúchos foram consultados sobre a nota que dão para o conhecimento sobre as leis de trânsito, em uma escala de zero a 10, a média ficou em 8,4 para si mesmos e 6,2 para os outros motoristas da cidade.
A pesquisa revelou, ainda, que o uso do celular ao volante já se tornou uma infração socialmente aceita. Das poucas pessoas que reconhecem cometer imprudência, o uso do celular é admitido por um percentual alto da amostra (22,5%), comparado-se às outras infrações citadas, por exemplo, dirigir sem cinto (7,2%), permitir carona sem cinto (5,6%) e passar em sinal vermelho (4,5%). Na faixa dos 18 a 24 anos, o índice de uso de celular no trânsito sobe para 30,6%.
O nível de confiança da pesquisa é de 95%, e a margem de erro fica em 2,2% para mais ou para menos. Para o Presidente do Detran-RS, Sérgio Filomena, o resultado foi revelador. "Sabendo como pensam nossos motoristas e pedestres, temos condições de desenvolver campanhas e ações mais efetivas. Por meio desse estudo, detectamos, por exemplo, que precisamos trabalhar para que cada um assuma a sua parte da responsabilidade pela paz no trânsito."
(Com informações do Detran-RS)
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