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Pesquisa sugere cuidados especiais para gestantes

Chás, sucos cítricos e até chimarrão podem ser prejudiciais ao coração do feto

Chás de todas as ervas, chimarrão, sucos de uva e de laranja, e até o chocolate não devem ser ingeridos pela mãe nos últimos três meses da gestação, pois podem ocasionar problemas cardíacos no feto. O cuidado mais que especial para que o coraçãozinho dos bebês comece a vida batendo com força e perfeição faz parte de uma descoberta gaúcha, que será apresentada ao planeta, sábado, no Congresso Mundial de Cardiologia, em Pequim, na China. As pesquisas produzidas no Instituto de Cardiologia (IC) de Porto Alegre foram recentemente publicadas em revistas médicas de reconhecimento internacional.

O porta-voz do anúncio e autor da descoberta é o médico Paulo Zielinsky, chefe do setor de Cardiologia Fetal do IC. Ele diz que uma grande equipe de profissionais da instituição atua nas experiências há cerca de cinco anos e que o “trabalho original” aponta a constrição do ducto arterioso fetal pela diminuição de uma substância chamada “prostaglandina, a qual é transmitida pela mãe ao feto, através da placenta”, conta.

Paulo explica que os alimentos ricos em flavonóides e polifenóis favorecem a diminuição da prostaglandina no organismo da gestante e, por consequência, no feto. “Isso reduz o calibre do canal de circulação fetal chamado ducto arterioso, por onde o sangue sai do coração do feto para os pulmões”, diz.

Zielinsky lembra que os pulmões do feto ainda estão “fechados” - daí aquela palmadinha para fazer o recém nascido chorar e ativar a respiração pulmonar - e informa que a quantidade sanguínea que atravessa o ducto para chegar aos pulmões corresponde a 10% do sangue fetal. “Os outros 90% voltam para a circulação corporal pelo ducto arterioso. Quando algo interfere na sua abertura, causa uma sobrecarga no coração do bebê, que pode apresentar problemas de saúde como hipertensão pulmonar”, exemplifica.

O médico gaúcho, único cardiologista brasileiro a palestrar sobre Cardiologia Fetal no Congresso, conta ainda que, mesmo quando os fetos não demonstram sinais de contrição do ducto, há um comportamento piorado no fluxo sanguíneo, com a circulação abaixo dos 90% ideais que devem voltar a irrigar o corpo do feto.

Ele destaca, no entanto, que a ingestão dos alimentos ricos em flavonóides e polifenóis é benéfica aos demais grupos humanos, pelas propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias. “Só não é recomendável para os fetos de terceiro trimestre”, finaliza Zielinsky.