Ao chegar à comunidade, o primeiro lugar que ela conheceu foi a Unidade de Triagem de Lixo. No local, a presidente da Associação de Catadores e Recicladores da Vila Chocolatão, Teresinha Margarete do Rosário, explicou como funciona o trabalho e mostrou a estrutura, que conta com refeitório, sala de administração e espaços próprios da reciclagem. “Com certeza, na comparação com o espaço que existia na antiga vila, os recicladores agora têm melhores condições de segurança para trabalharem”, disse Elizabeth.
A pesquisadora da ONU está em Porto Alegre visitando pela segunda o novo assentamento do Chocolatão. A primeira vez foi no ano passado, pouco antes do início da transferência das famílias. Antes disso, ela já havia conhecido a área original onde estava a comunidade, ao lado do prédio da Receita Federal, no centro. “Esse é um exemplo único e pioneiro de como pode dar certo uma iniciativa que envolve governo, iniciativa privada e comunidade”, explicou Elizabeth.
Em comparação com a Austrália, seu país de origem, a pesquisadora lembrou que programas de reassentamento, em especial os que envolvem indígenas, não têm sucesso. Isso porque as instituições responsáveis pela iniciativa não consultam os moradores envolvidos no processo. “O governo não busca entender a realidade da comunidade e o que ela espera com a mudança”, explicou.
Na visita, a pesquisadora conversou com algumas das 181 famílias que residem no loteamento construído pelo Departamento Municipal de Habitação (Demhab). “Mudar de vida é um processo difícil. São necessárias adaptações. Porém, mesmo com dificuldades, essa é uma comunidade totalmente diferente. São famílias que têm futuro e esperança de uma vida melhor”, afirmou ela.
A australiana lembrou ainda que na nova comunidade os moradores têm acesso a condições básicas de vida, como água potável, energia elétrica, rede de esgotos, ruas pavimentadas, iluminação pública. Além do centro de reciclagem, eles contam com creche infantil e comércio.