Pfizer entregará ao Brasil 14 milhões de doses até junho, diz assessor

Pfizer entregará ao Brasil 14 milhões de doses até junho, diz assessor

Auxiliar do ministro da Saúde afirma que empresa vai antecipar 5 milhões de doses para somar a duas remessas

R7 e Agência Brasil

Governo brasileiro caminha para um contrato de 100 milhões de doses da vacina da Pfizer

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O ministro da Economia, Paulo Guedes, e o assessor especial do Ministério da Saúde, Airton Cascavel, anunciaram nesta segunda-feira que o Brasil receberá 14 milhões de doses da vacina contra Covid-19 desenvolvida pela Pfizer e pela BioNTech. O comunicado foi feito enquanto o presidente Jair Bolsonaro e ministros estavam reunidos por videoconferência com o diretor-executivo global da Pfizer, Albert Bourla.

O governo brasileiro caminha para um contrato de 100 milhões de doses da vacina da Pfizer para este ano, mas a grande maioria estava prevista para o segundo semestre. Cascavel afirmou que a empresa se comprometeu a antecipar 5 milhões de vacinas que seriam entregues a partir de julho.

"Nós tínhamos uma previsão da Pfizer de 99 milhões de vacinas neste ano: 2 milhões em maio, 7 milhões em junho e 10 milhões [por mês] até o início do último trimestre, onde estão 60 milhões. O que o presidente da Pfizer garantiu ao presidente Bolsonaro hoje? Antecipação de 5 milhões do segundo semestre para maio e junho. Ou seja, dos 9 milhões que nós tínhamos previstos, se incorporarão mais 5 milhões, passando para 14 milhões em maio."

A vacina Pfizer/BioNTech é a única até o momento com registro sanitário (definitivo) concedido pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). Portanto, já pode ser importada. A negociação com a Pfizer, que havia começado em agosto, destravou na última semana após o Congresso aprovar uma emenda a um projeto de lei que permitia ao governo federal atender às exigências contratuais impostas pela farmacêutica.

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Outras vacinas

O presidente Jair Bolsonaro também vai se reunir com representante da Janssen (braço da empresa Johnson & Johnson) para tratar da aquisição de 30 milhões de doses de vacina contra Covid-19. De acordo com o assessor Airton Soligo, estados e municípios já receberam 20 milhões de doses para vacinação da população contra a doença que já matou mais de 265,4 mil pessoas no país.

São vacinas aprovadas no Brasil para uso emergencial: a Coronavac, produzida pelo Instituto Butantan em parceria com a farmacêutica chinesa Sinovac, e a vacina Covishield, produzida pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em parceria com a Universidade de Oxford e o laboratório inglês AstraZeneca.

Até o final de março, segundo o assessor, mais 31,8 milhões de doses estarão disponíveis: 25 milhões da Coronavac e 6,8 milhões da Covishield. No caso da vacina AstraZeneca/Oxford serão 3,8 milhões produzidas pela Fiocruz e 3 milhões produzidas na Coreia do Sul e entregues pela iniciativa Covax, da Organização Mundial da Saúde (OMS). Em abril, a previsão é de mais 42 milhões de doses de vacinas, sem contar os imunizantes Covaxin e Sputnik V que também estão sendo negociados pelo governo federal.

Negociações

De acordo com o ministro da Economia, Paulo Guedes, a antecipação da entrega de vacinas pela Pfizer foi possível pois a farmacêutica aumentou a sua capacidade de produção de 1,5 milhão para 5 milhões de doses diárias. “E fazendo isso deve haver mais vacina para todo mundo, inclusive para nós”, disse em entrevista à imprensa no Palácio do Planalto, ao lado de Soligo.

As negociações para aquisição de imunizantes com a Pfizer e a Janssen aconteceram depois da aprovação de um projeto de lei que facilitou a compra de vacinas com autorização para uso em caráter emergencial pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) por estados, municípios e por empresas. No caso do setor privado, as doses devem ser integralmente doadas ao Sistema Único de Saúde (SUS) enquanto o público prioritário não tiver sido todo vacinado.

O texto também permite que estados, Distrito Federal e municípios assumam a responsabilidade civil por eventuais efeitos adversos provocados pelos imunizantes, desde que estes tenham obtido registro na Anvisa. Essa é uma exigência feita pela Pfizer/BioNTech e Janssen. A ausência de responsabilização ao laboratório em caso de atraso na entrega ou de eventuais efeitos colaterais do imunizante, entre outras condições, causaram entraves na negociação entre governo e Pfizer.

“Cada um tenta fazer na sua área o melhor possível para o Brasil. E, claramente, nessa negociação anterior com a Pfizer, o problema de escala foi um problema sério. Não fazia sentido 100 mil ou 200 mil doses para um país como o Brasil. Então, o Brasil o tempo inteiro pedindo [fabricação em] escala e eles, por sua vez, pedindo exigências, que, dos dois lados, demoraram um pouco na negociação”, disse Guedes.


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