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Pilotos de jato que provocou queda do avião da Gol vão a julgamento

Norte-americanos respondem em segunda instância por acidente que causou a morte de 154 pessoas

Pilotos de jato que provocou queda do avião da Gol vão a julgamento
Pilotos de jato que provocou queda do avião da Gol vão a julgamento Foto : Evaristo Sá / AFP / CP
O desembargador Tourinho Neto, da Terceira Turma Criminal do Tribunal Regional Federal da Primeira Região (TRF1), conduz na segunda-feira o julgamento, em segunda instância, do processo criminal dos pilotos norte-americanos Joseph Lepore e Jan Paul Paladino. Eles comandavam o jato Legacy, que se chocou contra o avião da Gol há seis anos. No acidente, morreram 154 pessoas. Os parentes e amigos pedem justiça e apelam às autoridades.

Ao completar seis anos do acidente, no dia 29 de setembro, a Associação de Familiares e Amigos das Vítimas do Voo 1907 enviou carta à presidente Dilma Rousseff pedindo o apoio do Ministério das Relações Exteriores e da Câmara dos Deputados para que os pilotos sejam punidos. Em trecho do documento, a entidade também faz um apelo às autoridades norte-americanas.

“Pedimos providências ao governo americano para cassar os brevês dos pilotos, já que a FAA (Federal Aviation Administration) se recusa a cumprir o acordo bilateral 21.713, Artigo12, com o Brasil. E, mesmo após seis anos do acidente, os pilotos continuam voando pela American Airlines e Excel Aire”, salienta a associação no texto. A entidade faz campanha para promover uma mobilização nacional utilizando as redes sociais Twitter (@rosanegutjhar) e Facebook. Há ainda o site da entidade.

A tragédia

O acidente ocorreu em 29 de setembro de 2006 quando o avião da Gol, que fazia o percurso de Manaus (Amazonas) a Brasília (Distrito Federal), chocou-se com o jato executivo Embraer Legacy 600. A aeronave comercial desapareceu dos radares aéreos e acabou caindo desgovernada. Em abril do ano passado, os pilotos foram condenados em primeira instância pelo juiz Murilo Mendes, de Sinop, em Mato Grosso, a quatro anos e quatro meses de prisão.

 O juiz, entretanto, substituiu a pena por serviços comunitários prestados nos Estados Unidos e a perda do brevê apenas nesse período. A Associação de Familiares e Amigos das Vítimas do Voo 1907 recorreu, na tentativa de reverter a pena. A entidade diz que os pilotos devem ser presos e que os brevês cassados permanentemente para evitar que tragédias se repitam.

Os pilotos norte-americanos sofreram um processo administrativo, pois foram autuados pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e pelo Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea). Os órgãos advertiram que ambos voaram em espaço aéreo de separação vertical reduzida (RVSM) sem autorização, desligaram o transponder e o equipamento TCAS 2, impedindo assim que o avião da Gol percebesse que o jato estava na rota errada e causaria a colisão.


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