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Pinguins podem ter sido vítimas de ciclones, diz veterinário

Mais de 500 animais apareceram mortos no Litoral Norte do Rio Grande do Sul

Hoje pela manhã foram recolhidos cerca de 30 animais para análise em laboratório
Hoje pela manhã foram recolhidos cerca de 30 animais para análise em laboratório Foto : Pedro Revillion
A causa da morte de pelo menos 512 pinguins-de-magalhães, encontrados entre as praias de Tramandaí e Quintão no Litoral Norte gaúcho, ainda é um mistério para os especialistas. Para o veterinário que presta serviços para o Centro de Estudos Costeiros, Limnológicos e Marinhos (Ceclimar), Derek Amorim, os animais podem ter sido vítimas de fenômenos meteorológicos como a ocorrência de ciclones. “Nessa época do ano, é comum os pinguins deixarem as colônias localizadas na Argentina em busca de comida. Eles migram até o litoral sul de São Paulo em busca de comida e depois de pegarem peso e retornam para casa”, destacou.

Segundo Amorim, os animais são jovens e não apresentavam manchas de óleo no corpo ou estavam machucados. “O que é interessante é que foi uma quantidade muito grande de animais mortos em uma faixa de terra pequena entre as plataformas de Tramandaí e Cidreira”, comentou. Conforme ele, as correntes oceânicas podem ter contribuído para trazer os pinguins para a costa gaúcha.

Grande parte dos animais foi encontrada entre as plataformas de Tramandaí e Cidreira entre quarta e quinta-feira. Eles estavam espalhados ao longo de um trecho de 50 quilômetros entre as duas praias. Na manhã desta sexta-feira, pesquisadores do Ceclimar da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs) e do Batalhão Ambiental da Brigada Militar percorreram as praias de Tramandaí, Cidreira e Quintão e recolheram cerca de 30 animais para análise nos laboratórios de veterinária da universidade.

Amorim e a estudante de Biologia Marinha Bruna Maldaner, acompanhados de soldados do Batalhão Ambiental da Brigada Militar, seguiram até o Farol de Dunas Altas, em Quintão. De acordo com o veterinário, o restante dos animais que estão na praia serão recolhidos pelas prefeituras de Tramandaí e Cidreira.

O sargento do Batalhão Ambiental de Tramandaí, Marco Antônio Fortes, disse que o batalhão recebeu ligações de moradores que foram encontrando ao longo da praia diversos animais mortos. “Uma equipe do batalhão fez a vistoria e acionou o Ceclimar que em um primeiro momento identificou mais de 300 animais mortos”, destacou.
Ele ressaltou ainda que é normal aparecerem pinguins mortos nesta época do ano, ao recordar que, em 2011, foram encontrados 800 animais no Litoral gaúcho. O resultado, que apontará a causa da morte dos animais, deverá ser conhecido em 30 dias.

Migração é comum nesta época do ano, diz veterinário

Durante o trabalho de recolhimento das espécies na orla gaúcha, o veterinário Derek Amorim explicou que a migração dos pinguins-de-magalhães (Spheniscus Magellanicus) vivos é comum nesta época do ano. Segundo Amorim, os animais são provenientes da Patagônia e provavelmente estavam em busca de comida.

Durante a inspeção realizada nas praias de Tramandaí, Cidreira e Quintão, os animais foram marcados com tinta amarela pelos especialistas. No entanto, na medida em que realizavam a retirada dos animais da praia, os especialistas do Ceclimar e os soldados do Batalhão Ambiental da Brigada Militar encontravam mais animais mortos.

Grande quantidade do pinguins foi encontrada entre as guaritas de salva-vidas de número 159 e 160 na praia de Tramandaí. O trabalho da equipe do Ceclimar e do Batalhão Ambiental chamou a atenção dos poucos frequentadores que se arriscaram a enfrentar o frio e o vento do litoral gelado do Litoral Norte gaúcho.

Os pinguins encontrados na litoral do Rio Grande do Sul pesavam de 2 a 2,3 quilos e possuem 45 centímetros de altura. A idade média da espécie é de 18 anos e o habitat natural é a zona costeira do Chile e da Argentina.

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