Os plantonistas do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) deverão receber orientações para que sejam evitados novos casos de pânico relacionados ao ebola, disse nesta quarta-feira o secretário da Saúde da Capital, Carlos Henrique Casartelli. Além disso, ele afirmou que os servidores das bases do Samu devem apenas confiar nas ordens dos médicos reguladores. “Elas não precisam saber detalhes, quem tem que saber é o supervisor que encaminha o atendimento. Se discordarem, podem questionar depois. Mas nós vamos conversar com os servidores sobre isso”, declarou.
Afastada do Samu de Porto Alegre por negar socorro a um paciente com sintomas similares aos do ebola, a auxiliar de enfermagem Cinara Costa da Silva alega falta de orientação e exposição dos plantonistas ao risco. A profissional afirma que, até ser acionada para atender um senegalês que relatava febre e desmaios, na última quinta-feira, só tinha informações sobre a doença através da mídia. “Me chamaram para atender um senegalês, recém chegado ao Brasil, sem especificação de tempo que já morava aqui. Só ontem alegaram para mim que Senegal não está entre os países com epidemia. Eu não tinha essas informações, nem outros colegas do Samu. Acho que precisamos nos prevenir, porque somos a linha de frente”, desabafa. Ela ressalta, ainda, que o treinamento dos profissionais que fazem o suporte pré-hospitalar preconiza a segurança da equipe, para que seja evitada a disseminação de qualquer doença.
O secretário garante que existe uma equipe de sobreaviso durante as 24 horas do dia para atender suspeitas reais de ebola em Porto Alegre. No dia do chamado do senegalês, os supervisores não consideraram necessário acioná-la. Ele admite que a Unidade Ebola, uma ambulância preparada com estrutura especial, não fica estacionada junto à frota do Samu, mas pode ser deslocada a qualquer momento. “Temos consciência do nosso cuidado. Nosso Samu foi, provavelmente, o primeiro a ter uma ambulância preparada. Porto Alegre foi a primeira capital a indicar um hospital de referência para suspeitas da doença, o Hospital Conceição. Nós pretendíamos tratar desse caso internamente para resolver possíveis erros dentro da equipe”, disse.
Uma sindicância será aberta na Secretaria de Saúde até que o caso seja totalmente esclarecido. Enquanto isso, a servidora deve ser encaminhada a outras funções. Uma segunda plantonista também negou atendimento ao paciente africano e ele acabou sendo socorrido por uma gerente do Samu, na noite de quinta-feira. As duas auxiliares de enfermagem costumam atender emergências sozinhas no turno da noite, acompanhadas, cada uma, apenas de um motorista.
Plantonistas do Samu devem receber mais orientações sobre ebola
Ao ser acionada, auxiliar de enfermagem afirmou que só tinha informações sobre infecções através da mídia