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Polícia e manifestantes entram em confronto em SP e RJ

Capital paulista teve barricadas de fogo e revide com balas de borracha da PM

Jornalistas que estavam cobrindo o protesto foram agredidos e presos
Jornalistas que estavam cobrindo o protesto foram agredidos e presos Foto : Rodrigo Paiva / RPCI / Folhapress / CP
O protesto de milhares foi dispersado por volta das 22h desta quinta-feira em São Paulo. Em meio aos confrontos ocasionais, utilização de bombas de gás lacrimogênio e tiros de balas de borracha, a Polícia Militar formou um cordão de isolamento que empurrou gradualmente os manifestantes, concentrados na avenida Paulista. Dezenas de pessoas foram presas.

A estratégia também foi empregada na rua Augusta, com diversos feridos por escoriações e impactos contundentes do armamento não-letal. Nos Jardins, pequenos focos de protesto ainda seguiam, mas as barreiras da PM impediram nova reunião dos milhares de participantes, liberando o fluxo de veículos na Paulista às 21h45min. Uma onda de protestos contra os aumentos nas tarifas de transportes coletivos acontece em todo o Brasil. Em São Paulo, os preços passaram de R$ 3,00 para R$ 3,20 e o protesto agrupou cerca de 3 mil pessoas.

No Rio de Janeiro, ao menos 2 mil pessoas participaram da manifestação na avenida Rio Branco, uma das principais vias do centro do Rio de Janeiro. O protesto aconteceu de forma pacífica durante sua maior parte, apesar do controle estrito da PM e de algumas intervenções políciais, dois dias do início da Copa das Confederações.  Gritando palavras de ordem como "o Rio vai parar se a passagem não baixar", os manifestantes exigiram a suspensão do aumento das tarifas nos transportes coletivos. No dia 1º de junho, a passagem subiu de R$ 2,75 para R$ 2,95.

Na capital paulista, a tensão aumentou de tal forma, no clima de cerco policial, que as forças de segurança chegaram a alertar para o risco de ocorrências graves. O major Lidio Costa Junior, do Policiamento de Trânsito da PM paulista, relatou que a situação chegou a fugir do controle: "Não nos responsabilizamos mais pelo que vai acontecer", definiu no início da noite.

Os manifestantes montaram barricadas de fogo na Consolação e na Rua Rego Freitas, além de jogar pedras e rojões contra a PM. Na rua Caio Prado, o grupo gritava em coro: "Augusta, Augusta", para onde deveriam se dirigir. Segundo a PM, os detidos estavam portando facas e drogas e serão levadas para as delegacias da região. Entre os presos estava um repórter da revista Carta Capital. A Secretaria de Segurança Pública informou que o jornalista Piero Locatelli, detido pela PM, vai ser liberado do 78º DP (Jardins). Ele teria sido colocado sob custódia porque estava com vinagre na bolsa - o produto seria usado para neutralizar o efeito de bombas de gás lacrimogêneo. A secretaria informou que um segundo jornalista também foi preso por ter "tentado evitar uma prisão". Uma repórter da Folha de S. Paulo foi atingida no olho por uma bala de borracha enquanto trabalhava na zona de confronto.


Polícia paulista entrou em confronto com os manifestantes nas ruas da cidade | Foto: Mídia NINJA / Especial CP

Prefeito afirma que tarifa não será reduzida


O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, disse que não vai mudar o percentual de reajuste nas passagens dos ônibus. “Havíamos nos comprometido a dar um reajuste muito abaixo da inflação. Se fosse dada a inflação, o valor da tarifa seria muito maior do que foi dado no momento. Então, o valor será mantido porque já está muito abaixo da inflação acumulada”, afirmou ele.

Perguntado sobre o que achava dos protestos contra o aumento das tarifas, respondeu que, apesar de respeitar os manifestantes, repudia a forma violenta como vêm acontecendo em São Paulo. “Tenho muito apreço pela democracia e considero legítima toda e qualquer forma de manifestação e expressão. O que a cidade repudia é a violência. São Paulo está acostumada com manifestações. O que a cidade não aceita é a forma violenta de se manifestar e se expressar. Com isso, a cidade não compactua”, declarou. “Não vejo coordenação nesse movimento. Eles próprios dizem: eles não se coordenam, não há lideranças, não há responsáveis. Ninguém se apresenta como responsável pelo que está acontecendo”, acrescentou.

Com informações de Agência Brasil, Agência Estado e France Presse.



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