A polícia ainda aguardava o resultado de dois laudos para encerrar as investigações. Um deles comprovou o consumo de rebites (droga consumida para estimular o sistema nervoso e acelerar o ritmo de trabalho) horas antes do acidente. A atitude já havia sido assumida pelo motorista, em depoimento. O outro exame mostrou que os medicamentos encontrados na cabine do caminhão eram de uso proibido. Desta forma, o motorista João José de Araújo, de 44 anos, foi indiciado por dois homicídios e sete tentativas de homicídio com dolo eventual (quando se assume o riso de matar), além de posse de drogas, podendo ser condenado a mais de 20 anos de prisão.
Como conseguiu responder ao processo em liberdade, por meio de um alvará de soltura, o caminhoneiro deve ser intimado em casa, no Interior de São Paulo, para prestar esclarecimentos à Justiça gaúcha. A hipótese de prendê-lo novamente, de forma preventiva, já foi descartada pelo delegado.
Ainda conforme o inquérito, o caminhão conduzido por Araújo não tinha condições de trafegar e os motoristas envolvidos no acidente não haviam ingerido bebidas de alcoolicas e conduziam automóveis sem problemas significativos. O delegado Mombach lembrou, ainda, que as vítimas envolvidas no acidente podem procurar a Justiça em busca de possíveis indenizações junto ao proprietário da transportadora, Evandro Goes. Mesmo inocentada no processo criminal, a empresa pode responder na esfera cível, entende o delegado.
O acidente fatal ocorreu na madrugada de 27 de abril quando um comboio de policiais e jornalistas seguia para a cobertura de uma operação policial na Serra gaúcha. O caminhão de Araújo fazia o trajeto São Paulo-São Sebastião do Caí, a fim de entregar uma carga de laranjas.