Após a chuva, a menina saiu para brincar na frente de casa e encostou na cordoalha de aço, que estava amarrada ao pé de um poste de iluminação pública. De acordo com vizinhos, o cabo telefônico estava arrebentado desde o tornado que atingiu o município, em 21 de julho de 2010. Maria Eduarda desmaiou e foi socorrida pela mãe. No Hospital de Caridade de Canela, ela chegou a ser reanimada, mas não resistiu.
Segundo o delegado Luís Rogério Carvalho de Lima, o cabo que serve para sustentar a rede telefônica entrou em contato com a fios elétricos. “Com o tempo, um fio da iluminação pública encostou na rede telefônica e energizou a cordoalha que foi amarrada ao poste”, analisou.
O delegado observa, no entanto, que não tem informações sobre quanto tempo faz que o cabo foi amarrado ao poste. “Os funcionários da empresa que presta serviço disseram que não tinham conhecimento da situação. Sabemos que fazia bastante tempo que o cabo estava solto no local, mas não podemos afirmar que foi durante o tornado”, ponderou.
Conforme Lima, o objetivo da investigação é apurar se houve negligência ou imperícia, além de buscar a responsabilidade penal para o incidente. “Vamos apurar se o fato podia ser evitado. Se for comprovada negligência ou imperícia, os responsáveis irão responder por homicídio culposo”, destacou o delegado.
Segundo o policial, foram ouvidos alguns vizinhos e os técnicos que retiraram o cabo do local. Lima espera colher o depoimento dos familiares até a próxima sexta-feira. O inquérito deve ser concluído em 30 dias. A Polícia Civil ainda desconhece a empresa proprietária do cabo e responsável pela manutenção do equipamento.
Apesar de alegar não ter responsabilidade sobre o ocorrido, técnicos da Rio Grande Energia (RGE) realizaram um trabalho conhecido como “eliminação do risco” no poste energizado. A Prefeitura de Canela diz que vai aguardar a conclusão do inquérito para se manifestar sobre o incidente, mas também alega que a rede telefônica não é de sua responsabilidade.