A investigação chegou aos cinco possíveis suspeitos por causa de ocorrências já registradas anteriormente e conversas com outros operários. O fato de todos trabalharem na construção, acredita o delegado, pode dificultar as investigações. “Eles se protegem”, afirmou Conrado, que também conversou com diretores da OAS, responsável pela construção, nesta segunda-feira.
O dono dos locais afetados – que alugava à OAS – estima ter um prejuízo de cerca de R$ 10 milhões. “Foi um incêndio criminoso”, garantiu o delegado, que espera os laudos da perícia para saber como as chamas foram iniciadas. Para não atrasar a investigação, ele irá requerer um laudo preliminar, pois o resultado conclusivo “pode demorar semanas”.
Além dos alojamentos, o fogo destruiu documentos de boa parte dos trabalhadores, e muitos deles vieram de outros estados. Segundo a OAS, parte deles foi alocada em um ginásio de uma escola no Humaitá enquanto outro grupo passou a noite em um hotel no Centro de Porto Alegre.
Protesto começou após atropelamento e morte de operário
O protesto dos operários começou depois das 19h desse domingo, após o atropelamento seguido de morte de José Elias Machado, 40 anos, na freeway, em frente à Arena. Houve tentativa de linchamento do motorista, que não ocorreu devido à atuação da Polícia Rodoviária Federal e da Brigada Militar. Em seguida, eles atearam fogo em um galpão. Durante a madrugada, houve um novo incêndio, nos alojamentos.
O corpo de Machado está no Departamento Médico Legal e só poderá ser liberado depois da chegada de algum familiar do Nordeste. Segundo informações de colegas, a vítima foi atropelada quando atravessa a freeway, fato que será investigado pelo Ministério Público do Trabalho. Se for comprovada a denúncia de que é necessário atravessar a rodovia para chegar ao alojamento, ficando expostos a riscos de atropelamento, a OAS pode ser responsabilizada.
Em fevereiro deste ano, os operários da obra da Arena realizaram greve reivindicando melhores condições de trabalho e aumento no salário. Quatro meses depois, eles fizeram uma nova paralisação, pelos mesmos motivos.