Ele disse que, aparentemente, não houve agressão por parte dos manifestantes e atribui o uso do gás lacrimogêneo a uma falha na comunicação. "Os manifestantes estavam parados com a polícia, sem nenhuma animosidade, gritando palavras de ordem contra a situação política. E nós abrimos para eles seguirem em direção ao Cosme Velho que, parece, era o que queriam".
De acordo com Andrade, a falta de lideranças no grupo de manifestantes dificulta o diálogo para planejar a ação policial. "Não há uma liderança, não tem com quem a gente conversar, essa movimentação às vezes é rápida, eles subiram rapidamente e alguns policiais que estavam lá na ponta podem ter se assustado com aquela multidão chegando, sem ter sido avisados, não sabiam se era para deixar passar".
São Paulo
A polícia usou bombas de gás lacrimogêneo contra os manifestantes que protestavam contra o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, em frente à Câmara Municipal, no centro da cidade. A repressão começou depois que militantes jogaram pedras na fachada do prédio. Grande parte do grupo estava vestida de preto e com o rosto coberto. No trajeto, a passeata foi ganhando adesões e chegou a ter, segundo a PM, 2 mil pessoas.
Na avenida Paulista, após algumas horas de concentração, os manifestantes saíram em passeata e, no caminho, depredaram uma agência bancária e uma banca de revista, além de fazer pichações. Eles gritavam palavras de ordem contra Alckmin e pediam o fim da Polícia Militar. Na avenida 23 de Maio, uma viatura teve o parabrisa traseiro destruído enquanto acompanhava o ato. Depois do início da repressão, os confrontos continuaram até a Praça da Sé.
Apesar da principal reivindicação ser a saída do governador, os manifestantes tinham diversas demandas, inclusive porque o grupo foi crescendo durante a passeata.
Brasília
O Departamento de Polícia Especializada (DPE) de Brasília tem, até o início da noite, 39 pessoas detidas por desordem, desacato ou depredação do patrimônio. Elas estão sendo ouvidas e, em seguida, devem ser liberadas. Um comboio da Polícia Civil acaba de deixar o DPE em direção à Delegacia da Criança e do Adolescente levando menores de idade que foram apreendidos com manifestantes adultos.
Parentes dos detidos e a imprensa estão proibidos de entrar no prédio da delegacia. Apenas advogados têm contato com os manifestantes. Um dos jovens que está no DPE é Jefferson Nicácio, de 19 anos, que estava no shopping Conjunto Nacional, na região central de Brasília, quando um grupo tentou invadir o local. Os pais do rapaz alegam que ele não faz parte da manifestação e foi confundido e levado para a delegacia.