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Pontes antigas não comportam atual volume de tráfego, admite superintendente do Daer

Estrutura que desabou em Agudo era da década de 1960

Pontes antigas não comportam atual volume de tráfego, admite Daer
Pontes antigas não comportam atual volume de tráfego, admite Daer Foto : Patrícia Parreira/Especial CP
O superintendente de Construção Rodoviária do Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (Daer), Cézar Garcia, disse à Rádio Guaíba, na tarde desta quarta-feira, que as pontes projetadas nas décadas de 1950 e 1960, como a que caiu em Agudo na terça-feira, não comportam o volume de veículos que transitam atualmente no Estado. "Teria que reprojetar, mas essas aí, como são antigas e continuam funcionando bem, enquanto não tiver outra, vai ser assim", disse.

"Essas pontes antigas não foram projetadas para esse peso. Esse não é um problema só do Rio Grande do Sul, é de todo o Brasil", afirmou. Ele confirmou que pode haver rompimento nesse tipo de ponte, já que o tráfego aumentou, e a alternativa, segundo ele, é a realização de um estudo "bem feito".

Manutenção

A tragédia ocorrida na manhã de terça-feira, no município de Agudo, poderia ter sido evitada, de acordo com o presidente do Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (Crea), Luiz Alcides Capoani, caso inspeções fossem feitas regularmente na ponte sobre o Rio Jacuí. Segundo ele, em construções como essa, a manutenção tem papel fundamental na prevenção de acidentes: “Não adianta ir até o local e fazer só a revisão visual, é preciso ter atenção com uma série de fatores que são determinantes para a segurança dos usuários.” Sobre isso, Cézar Garcia disse que primeiro é feita a observação e depois, se verificado algum problema, é realizado um estudo mais apurado.

O Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas e Logística no Rio Grande do Sul (SETCERGS) teme por novos acidentes, uma vez que a maioria das pontes e rodovias gaúchas foram construídas há mais de 40 anos e não acompanharam o avanço tecnológico dos veículos. “Está na hora de uma reformulação geral na malha viária do Rio Grande do Sul. Não dá para esperar novas tragédias acontecerem. É preciso que o governo dê a atenção devida ao problema”, disse o presidente do sindicato, José Carlos Silvano.