O superintendente de Construção Rodoviária do Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (Daer), Cézar Garcia, disse à Rádio Guaíba, na tarde desta quarta-feira, que as pontes projetadas nas décadas de 1950 e 1960, como a que caiu em Agudo na terça-feira, não comportam o volume de veículos que transitam atualmente no Estado. "Teria que reprojetar, mas essas aí, como são antigas e continuam funcionando bem, enquanto não tiver outra, vai ser assim", disse.
"Essas pontes antigas não foram projetadas para esse peso. Esse não é um problema só do Rio Grande do Sul, é de todo o Brasil", afirmou. Ele confirmou que pode haver rompimento nesse tipo de ponte, já que o tráfego aumentou, e a alternativa, segundo ele, é a realização de um estudo "bem feito".
Manutenção
A tragédia ocorrida na manhã de terça-feira, no município de Agudo, poderia ter sido evitada, de acordo com o presidente do Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (Crea), Luiz Alcides Capoani, caso inspeções fossem feitas regularmente na ponte sobre o Rio Jacuí. Segundo ele, em construções como essa, a manutenção tem papel fundamental na prevenção de acidentes: “Não adianta ir até o local e fazer só a revisão visual, é preciso ter atenção com uma série de fatores que são determinantes para a segurança dos usuários.” Sobre isso, Cézar Garcia disse que primeiro é feita a observação e depois, se verificado algum problema, é realizado um estudo mais apurado.
O Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas e Logística no Rio Grande do Sul (SETCERGS) teme por novos acidentes, uma vez que a maioria das pontes e rodovias gaúchas foram construídas há mais de 40 anos e não acompanharam o avanço tecnológico dos veículos. “Está na hora de uma reformulação geral na malha viária do Rio Grande do Sul. Não dá para esperar novas tragédias acontecerem. É preciso que o governo dê a atenção devida ao problema”, disse o presidente do sindicato, José Carlos Silvano.
Pontes antigas não comportam atual volume de tráfego, admite superintendente do Daer
Estrutura que desabou em Agudo era da década de 1960