“São números que impressionam. Aumentamos de R$ 56 milhões para R$ 600 milhões o investimento na área e criamos emprego para 20 mil odontólogos. Foram 5,5 mil novos consultórios odontológicos. Começamos com 51 e ano que vem chegaremos a 160 consultórios móveis (para atender as localidades mais remotas). São 20 mil equipes de saúde bucal”, disse o ministro.
O objetivo principal da pesquisa – que abrange 177 municípios de todas as unidades federativas do país – é o de conhecer as condições de saúde bucal da população brasileira em 2010 e manter uma base de dados eletrônica que subsidiará a Política Nacional de Saúde Bucal.
Dessa forma, o governo pretende reorganizar a prática e a qualificação das ações e serviços em saúde bucal, visando a ampliar o acesso ao tratamento odontológico gratuito aos brasileiros. “Essa pesquisa ajudará, ainda, na otimização da aplicação de recursos públicos no setor, de forma a melhor planejarmos as próximas ações”, afirmou o coordenador nacional de Saúde Bucal do Ministério da Saúde, Gilberto Pucca.
A pesquisa tem por base um índice da Organização Mundial da Saúde (OMS), denominado CPO. Ele identifica a incidência de cáries, próteses e obturações em cada pessoa entrevistada. Com os avanços recentes, o Brasil passou a integrar o grupo de países com baixa prevalência de cárie.
Para estar nesse grupo, o indicador CPO tem de estar entre 1,2 e 2,6. Na América do Sul, apenas quatro países ocuparam esse patamar: Chile (1,9), Brasil e Venezuela (2,1) e Colômbia (2,3). Em 2003, o Brasil registrava um índice de 2,8. Atualmente, esse índice está em 2,1.
“Avançamos em todas as regiões, exceto na Região Norte, devido a características particulares e peculiaridades”, disse Pucca, referindo-se à constatação de que tecnologias com portabilidade mais adequados – aparelhos menores para serem usados em nas unidades móveis – deverão ser levadas em consideração nas próximas ações. “Esse é um problema a ser resolvido (pelo próximo governo)”, acrescentou Temporão.
Outros problemas a serem solucionados são a capacidade de produção de próteses, que encontra-se abaixo da demanda, e o atendimento a crianças de até 5 anos, que ainda têm dentes de leite. Enquanto o Sistema Único de Saúde (SUS) tem condições de produzir apenas 500 mil próteses, há uma demanda de 3 milhões de próteses totais (dentes superiores e inferiores) e de 4 milhões para próteses parciais.
“Esses continuarão sendo nossos desafios. Para a questão da prótese, a solução pode ser uma parceria com a iniciativa privada", disse o ministro. Segundo a pesquisa, 80% das crianças até 5 anos, com dente de leite, ainda não tiveram tratamento. "Isso também precisa ser melhorado, apesar de termos reduzido em 17% a incidência de cáries em dentes de leite”, acrescentou.