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População de Porto Alegre está mais idosa

Capital tem mais de 200 mil habitantes com idade superior aos 60 anos

População de Porto Alegre está mais idosa
População de Porto Alegre está mais idosa Foto : André Ávila
A população idosa está cada vez maior em todo o país, mas a tendência de inversão da pirâmide etária é mais acentuada no Rio Grande do Sul e principalmente em Porto Alegre. Entre 2000 e 2010, o número de pessoas com mais de 60 anos passou de 160,5 mil para 211,8 mil na capital gaúcha. Enquanto isso, a quantidade de porto-alegrenses com menos de 30 anos caiu de 668,7 mil para 615,9 mil.

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Como a fecundidade (1,58) é menor do que a taxa de reposição da população (2,1) no Estado e a expectativa de vida aumentou, ocorre essa transição demográfica. “É a passagem de altos níveis de mortalidade e fecundidade para baixos níveis. Esse processo ocorre geralmente primeiro nas capitais”, explica o demógrafo do IBGE Márcio Minamiguchi. Dessa forma, Porto Alegre começa a envelhecer antes do que o restante do Brasil.

A previsão para 2015 é que o Rio Grande do Sul tenha aproximadamente 1,51 filho por mulher. O índice deve ser semelhante na Capital. Os gaúchos sempre tiveram menos herdeiros do que a média nacional. Em 1950, a taxa era 5,22, enquanto que no Brasil, ficava em 6. Em 2010, o Estado tinha 1,67. Já no país era de 1,87.

Até 2020, o número de moradores, hoje 1,4 milhão, não deve alterar. Porém, a redução do número de filhos por mulher e o aumento da expectativa de vida contribuirão para a cidade ter população cada vez mais idosa em comparação com a faixa de jovens. A tendência é que a longo prazo a população caia, caso não ocorra um processo de migração.

Outra tendência é a redução de habitante por domicílio. No Censo de 2010, eram quatro pessoas por moradia, já em 2010, três. “Muitos idosos estão morando sozinhos”, avalia o demógrafo. Essa mudança no perfil da população faz com que se pense na alteração de foco nas demandas.

“Há necessidade de serviços públicos para garantir qualidade de vida para os idosos”, observa a assistente social da Fundação de Assistência Social e Cidadania (Fasc), pós-graduada em Gestão Pública e em Saúde Pública com ênfase em Gestão, Loiva Beatriz Diedrich. Ela realizou um trabalho, que identificou a mudança da pirâmide etária, sob o olhar das políticas públicas.

Entre as demandas estão acessibilidade, melhorias da saúde, transporte e habitação. “É importante pensar em uma agenda para esse grupo apontar suas necessidades”, destaca. Até mesmo as especialidades médicas como de cardiologia e geriatria serão mais demandadas nos próximos anos.

Serviços que mudarão com população

Para o futuro, os moradores de Porto Alegre já estão demonstrando suas demandas. Um dos apoiadores da plataforma colaborativa Porto Alegre CC, desenvolvida pela empresa Lunge, em parceria com a Unisinos, Max Senger, observa que os temas mais recorrentes são segurança pública, recolhimento de lixo e manutenção de praças.

“Esses assuntos têm intensidade permanente”, observa. A sensação de insegurança, por exemplo, aumentou bastante. Os idosos e os portadores de necessidades especiais estão demandando melhor acesso aos espaços públicos, segundo ele. “A acessibilidades das áreas comuns é muito frágil, porque não existe estrutura adequada.”

Existe uma tendência de organização de grupos para melhorar áreas comuns. “Eu tenho percebido que as pessoas estão mais sensíveis. O cidadão está participando da solução e da criação das ideias e colocando as mãos para resolver o problema”, ressalta.

Em alguns casos, as pessoas questionam se o poder público não poderia se responsabilizar, mas a mobilização e a cidadania só tende a crescer nos próximos anos. “É oportunidade para organizar o voluntariado e sistematizar de forma complementar ao governo”, define. Mas, na opinião dele, isso ainda não está maduro da parte da gestão pública.

Trabalho também sofrerá alteração

O envelhecimento da população de Porto Alegre muda a disponibilidade de profissionais para o mercado. O contingente de trabalhadores vem se alterando ao longo dos anos. Se em 1993, a faixa de idade preponderante da População Economicamente Ativa (PEA) da região

Metropolitana era entre 25 a 29 anos (43%). Em 2014, passou a ser de quem tem mais de 40 (44,8%). Segundo a Fundação de Economia e Estatística (FEE), no início da década de 1990 havia 430 mil nessa faixa etária. No ano passado, somava cerca de 828 mil, um incremento de 92,6%.

A socióloga da FEE Norma Herminia Kreling destaca que o envelhecimento da mão de obra indica a necessidade de capacitação para garantir o equilíbrio social, econômico e intergeracional. “A qualificação intelectual, técnica e profissional, através da educação do nível básico e médio, devem se constituir prioridade das políticas definidas à população jovem, uma vez que os jovens de hoje serão aqueles que terão que sustentar, no futuro próximo, o contingente de idosos”, avalia. Por outro lado, a qualificação profissional e a educação continuada devem ser prioridade das políticas voltadas à força de trabalho madura, com o objetivo de uma maior possibilidade de absorção desta mão-de-obra.

Diferente de países desenvolvidos, o processo de envelhecimento das nações em desenvolvimento vem ocorrendo rapidamente em um ambiente sócio-econômico pouco favorável . O sistema de proteção social para todos os grupos etários, especialmente de idosos, sempre foi precário, segundo Norma.

Ela destaca que, no caso do Brasil, o desafio mais urgente é o da inclusão de milhões de trabalhadores que estão na informalidade e, não contribuem para o sistema previdenciário. O aumento crescente do contingente idoso pode levar ao esgotamento deste sistema.