Conforme Eduardo Emerim, médico responsável pelo Serviço de Atendimento em hepatites virais da Secretaria Municipal de Saúde, uma ação semelhante de proporcionar testes rápidos para HIV já foram feitas este ano pela secretaria. É a primeira vez que se estende para Hepatites e a ação deve ser repetida em setembro. “Chamamos atenção para uma doença que a população não pensa em seu dia a dia. Estima-se que exista em Porto Alegre cerca de 25 mil portadores de Hepatite C. Significa que em cada 40 pessoas, uma tem a doença” contextualizou.
As hepatites virais são transmitidas essencialmente, nos adultos, por sexo e entre usuários de drogas. “Assim como na incidência do HIV, somos uma das capitais com mais portadores de Hepatite do Brasil. Ocorre tanto pela falta de um sexo seguro como pelo aumento de uso de drogas. Usuários de cocaína que compartilham o canudo ou usuários de craque que compartilham o cachimbo. É comum o nariz e a boca dos usuários estarem machucados”, explicou Emerim.
De acordo com o médico, existem Hepatite viral A, B, C, D, E e F. As Hepatites E e F têm poucos casos, e a D aparece na região Norte do País. A Hepatite A sara sozinha. Em 1% dos casos, aqueles em que não há recuperação espontânea, necessita-se de transplante. Entre os casos de Hepatite B, 95% saram sozinhos, e nos casos de Hepatite C, apenas 20% saram sozinhos.
Só há vacina para a Hepatite B. No caso da C, mais grave, é preciso fazer o teste e iniciar o tratamento de seis meses a um ano para inativar o vírus, que aloja-se no fígado e começa a matar as células. Ele se regenera, não há dor, mas ficam nódulos que causam a cirrose. O indivíduo vai perceber que está com Hepatite quando começarem a aparecer sintomas como vomitar sangue, ter hemorragias, líquido na barriga, infecções devido a baixa imunidade ou problemas decorrentes de alterações circulatórias como no pulmão, coração e neurológicos. A doença é uma das principais causas de transplante de fígado do Brasil.
Tratamento
O tratamento contra a Hepatite B e C exige muito do médico e do paciente, conforme o especialista da Secretaria Municipal de Saúde Eduardo Emerim. “Porque há muitos efeitos colaterais, é um tratamento longo, e não cura todo mundo”, disse. Os remédios podem causar anemia, perda de apetite, dores no corpo, cansaço, insônia e até depressão.
De seis meses a um ano, os pacientes são tratados na rede pública com a injeção Interferom, o comprimido Rihavirina e, para os casos mais difíceis, com os inibidores de protease, Boceprevir e Telaprevir. Se o paciente seguir as recomendações médicas, ele tem de 40 a 80% de chances de se recuperar, dependendo do sub tipo da Hepatite. Qualquer pessoa tem o direito de pedir ao seu médico do posto de saúde para fazer o exame. “Montamos um sistema no qual a consulta com um especialista, se necessário, não demora mais que 10 dias”, afirmou Emerim.