A reivindicação é de equiparação com as agências de regulação, cujos vencimentos são, em média, 50% superiores. O Estado conta com 115 servidores. No restante do país, os trabalhadores estão de braços cruzados
há 23 dias.
Por volta das 6h, um grupo entregou a quatro deputados um documento denunciando a situação do Dnit e as consequências para a economia com a manutenção da greve. Segundo um dos membros da Comando de Greve, Celso Oliveira, o governo federal tem sido irredutível. Ele disse que os trabalhadores aproveitaram o embarque de parlamentares para Brasília para conversar sobre os pleitos.
José Luiz Stédile (PSB), Ronaldo Zülke (PT), Paulo Ferreira (PT) e Dionilso Marcon (PT) receberam a carta e prometeram tentar ajudar o grupo, intermediando a pauta com o governo. “Eles foram receptivos e disseram que iriam falar no plenário sobre o assunto”, afirmou Oliveira.
Do orçamento nacional do Dnit, um quinto é destinado para o Rio Grande do Sul, onde são executadas, pelo menos, cinco obras em rodovias. “Está tudo parado enquanto estamos em greve”, afirmou o analista administrativo Rodrigo Barão. Conforme ele, o governo havia proposto, em 2012, 15,8% de reajuste sobre a gratificação em dois anos. “O aumento é somente sobre a gratificação, não sobre o salário inteiro”, explicou.
Os funcionários reclamam que a estrutura física e organizacional do Dnit não foram concluídas desde sua criação. Eles dizem que o orçamento empenhado não é gasto, que as obras estão atrasadas e serviços, como de pesagem, ainda nem foram implementados.
No meio da manhã, o grupo de manifestantes se posicionou em frente ao Palácio Piratini, onde o ministro dos Transportes, César Borges, iria se encontrar com o governador Tarso Genro. “Queremos que eles ouçam nossas
demandas”, declarou Oliveira.
O Ministério do Planejamento informou que ainda está em processo de negociação com a categoria e que não tem definição sobre a greve. Os servidores disseram que o tempo é indeterminado até que a União dê uma resposta sobre a pauta.
Greve pode parar obras no Estado
A greve do Dnit pode gerar a paralisação das obras da autarquia, realizadas pelas empresas envolvidas nas obras de duplicação. A advertência é de Nelson Sperb Neto, presidente do Sindicato da Indústria da Construção de Estradas, Pavimentação e Obras de Terraplenagem em geral no Estado do Rio Grande do Sul (Sicepot/RS).
Ele cita as duplicações da BR 448 e BR 386 - em fase final -, da BR 116, entre Guaíba e Pelotas, e do contorno de Pelotas, da BR 290, entre Eldorado do Sul e Pantano Grande, e BR 158, contorno de Santa Maria, que devem iniciar no segundo semestre deste ano.
De acordo com Sperb, a greve do DNIT teve como efeito imediato a paralisação do processo de medição, tramitação e pagamentos das faturas dos serviços realizados, o que afetou gravemente as empresas envolvidas nas obras de duplicação em andamento.
Ele lembra, ainda, que as mesmas empresas haviam sido forçadas a parar, até recentemente, pela demora na emissão das ordens de serviço, por interferência dos órgãos de controle. E, posteriormente, pelo atraso na liberação das jazidas pelos órgãos de meio ambiente, além da ação de cerceamento das áreas indígenas e, por fim, devido à indefinição dos projetos executivos.
De acordo com Sperb, no mês de maio, no DNIT nacional, a contribuição da Superintendência Regional do Rio Grande do Sul representou cerca de 20% do total produzido, correspondendo a cerca de R$ 100 milhões. “Acreditamos em uma solução o mais rápido possível sob o risco de serem inviabilizados todos os prazos contratuais das obras em execução”, salientou Sperb. “O que prejudicaria não somente o interesse das empresas envolvidas, mas de toda a sociedade pelos atrasos da infraestrutura regional e nacional”, advertiu.