No bairro Belém Velho, houve queda de pelo menos cinco postes. A rua Octávio Frasca, uma transversal da estrada Costa Gama, está sem tráfego e os moradores nem podem sair de casa. “Até agora não veio ninguém da Companhia Estadual de Energia Elétrica (CEEE) aqui. Os moradores já fizeram um bloqueio na estrada Costa Gama e não deu em nada. São dez famílias no condomínio Sítio do Reche sem energia. Já perdi uns R$ 6 mil em carnes que tinha no freezer. Tem um vizinho que nem consegue sair de casa por causa dos postes caídos”, afirmou Valdir Reche, 61 anos, militar da reserva e proprietário do sítio.
O panificador Régis Linhares está sem fazer seus pães desde terça-feira. Ele abastece uma rede de supermercado e ainda nem calculou o prejuízo que teve. “Eu entrego cerca de 5 mil pães por dia. Não consegui produzir nada por causa da falta de luz. A gente chamou a CEEE e eles nem deram as caras por aqui”, comentou.
Na rua Luciano dos Santos Rodrigues, haviam 12 postes caídos após o temporal. A empresa ABT - Energia e Telecomunicações, uma prestadora de serviços da CEEE, precisou de 16 horas para reinstalar os equipamentos. De acordo com o encarregado Luiz Ari Lambert, os dois caminhões da empresa começaram a trabalhar na manhã dessa quarta-feira e foram até as 22h. Nesta quinta-feira, eles terminaram de instalar a fiação e um transformador.
Na zona Norte, o problema se repete
A situação se repete na zona Norte de Porto Alegre. Mesmo 55 horas após a tempestade, a moradora do bairro Rubem Berta, Irma Hernan, de 75 anos, ainda esperava o retorno da energia elétrica. Com um poste quebrado bem em frente a sua casa, ela estava desolada. “É um absurdo. Estou desesperada”, disse ela.
Dentro da residência, a escuridão tomava conta, assim como a preocupação. Com o refrigerador desligado, não foi possível salvar muitos alimentos, que estragaram rapidamente. “Nem dá para contabilizar os prejuízos”, relatou ela, lembrando que teve ainda corte no abastecimento de água.
Na mesma rua da idosa, a Martinho Féliz Berta, dezenas de moradores começaram a enfrentar os mesmos problemas que ela por volta das 3h da madrugada de terça-feira passada, quando diversos postes caíram e fios foram arrebentados pela força do vento. Após inúmeros contatos, uma equipe da CEEE esteve no local na noite dessa quarta-feira, quase 40 horas depois.
Porém, a falha não foi totalmente solucionada. O poste que havia caído e estava atravessado na rua foi reerguido de maneira provisória, ainda com os fios quase soltos. Assim, a energia retornou para parte dos clientes. O restante ficou sem fornecimento.
De dentro da loja, Isaías da Silva esperava que o problema fosse solucionado para voltar a trabalhar na construção de mesas de sinuca. “Como é necessário cortar os materiais tive que parar totalmente de trabalhar. Mas estou na esperança de que a luz volte”, afirmou ele. Segundo a CEEE, a demora no atendimento se deve ao grande volume de chamados. Nesta quinta-feira, o presidente da empresa, Sérgio Dias, atribuiu a dificuldade em restabelecer o serviço a redução de investimentos nos últimos anos.
Com informações dos repórteres Nildo Júnior e Mauren Xavier