Somente no ano passado, foram diagnosticados 1.390 novos casos de Aids na Capital, atingindo uma média de 98,59 casos para 100 mil habitantes, enquanto a média nacional é de 90,58. O total acumulado desde 1983 chega a 21.005. A letalidade geral no período atingiu 38,7%. Os bairros mais afetados pelo problema são Partenon, Rubem Berta, Restinga, Centro e Santa Teresa. O secretário municipal da Saúde, Carlos Henrique Casartelli, reconheceu que o problema é grave.
“Os números de Porto Alegre são indigestos”, definiu. Casartelli explicou que o Comitê de Mortalidade por Aids insere-se na estratégia de fortalecer e qualificar a organização da assistência à saúde às pessoas que vivem com o vírus buscando caracterizar adequadamente os fatores relacionados à mortalidade e também o impacto de ações voltadas ao diagnóstico e tratamento da infecção pelo HIV e doenças oportunistas.
Apesar da letalidade ter diminuído desde a introdução dos antirretrovirais na década de 1990, Porto Alegre apresenta números acima da média nacional com índice atual em 14,17%. “Diferentes fatores determinam o aumento da mortalidade relacionada à Aids, como o acesso tardio ao diagnóstico e ao tratamento da infecção pelo HIV e a resistência ao tratamento antirretroviral. As desigualdades existentes na oferta de serviços de tratamento e o impacto de doenças relacionadas à Aids, como a tuberculose e as hepatites, também contribuem.
Para José Hélio Costalunga de Freitas, da Rede Nacional de Pessoas Vivendo com HIV/Aids, o problema precisa ser enfrentado além da perspectiva médica. “Os portadores da doença perdem as metas e a perspectiva de viver até chegar no óbito. A Aids precisa ser observada também socialmente”, opinou.
O coordenador da Equipe de DST/Aids do Ministério da Saúde, Gerson Pereira, reconheceu a gravidade do problema em Porto Alegre e também no Estado. “O Rio Grande do Sul possui 17 cidades entre as 20 com mais casos de Aids no Brasil. Os números da Capital são tão alarmantes que parecem mentira. Por isso, conhecer as causas da mortalidade são decisivas para diminuir o problema”, frisou.