Uma transformação econômica relevante entre 1980 e 2010 ocorreu em Porto Alegre. Segundo o estudo realizado pelo Observatório das Metrópoles, a Capital teve a sua vocação industrial reduzida, enquanto que o segmento de serviços foi ampliado. Esse processo ocorreu especialmente entre o final da década de 90 e o início dos anos 2000, quando uma série de indústrias optou por se instalar em outros municípios da Região Metropolitana de Porto Alegre (RMPA).
Ao mesmo tempo, a representatividade dos serviços passou de 78,5% (nos anos 80) para 84,87% (em 2010). Em outras palavras, a Capital sofreu uma reestruturação produtiva em que a desindustrialização ficou mais evidente. Em números, esse movimento fez com que Porto Alegre perdesse espaço na economia da região. No início dos anos 80, a Capital era responsável por 57,78% do PIB metropolitano, e, em 2010, 38,85%. No que se refere ao PIB industrial, passou de 37,46% para 18,62% no mesmo período.
Segundo Paulo Soares, é preciso lembrar que neste período a RMPA teve o ingresso de outros municípios importantes, como os do Vale dos Sinos e Triunfo, onde está o Polo Petroquímico. Mesmo assim, as transformações em Porto Alegre são representativas. Sobre o deslocamento das indústrias, o pesquisador explica estar relacionado às “deseconomias”, que são custos paralelos, como é o caso do alto valor do solo urbano e as restrições legais para implantação de atividades industriais.
No que se refere ao aumento do setor de serviços, o pesquisador explica que há fatores que devem ser levados em consideração quando se trata da Capital. Porto Alegre tem alto peso demográfico, concentrando um terço da população, e tem a presença dos serviços avançados e a da estrutura de governo, especialmente órgãos estaduais, como Assembleia Legislativa, Centro Administrativo e Palácio Piratini.
Sobre a pesquisa, Paulo Soares enfatiza que a análise dos movimentos econômicos se mostra fundamental por refletir na organização dos municípios, criando grandes concentrações econômicas e populacionais. Um impacto importante se dá no mercado de trabalho. No caso da RMPA, houve o deslocamento do emprego do setor industrial para o setor de serviços. As transições podem ser vistas com mais facilidade em Porto Alegre e nas cidades no seu entorno mais próximo, segundo o pesquisador.
Nesta mesma linha, a economista-chefe da Fecomércio, Patrícia Palermo, avalia que o comportamento da RMPA está em sintonia com o da economia nacional. Ela recorda que o comércio varejista, por exemplo, tem grande impacto social, uma vez que tem um contingente grande de vagas e serve de porta de entrada no mercado de trabalho para os jovens. Outra avaliação é que o comércio permite uma circulação de recursos, sendo um estímulo importante na economia.
Desafio da mobilidade
Com a dispersão da população e a interligação entre as cidades, a mobilidade urbana é um dos grandes desafios. Uma das constatações da pesquisa foi que realmente houve um aumento na oferta de transporte público, porém, a partir de 2010, o número de passageiros diminuiu. Entre 1976 e 1995, a frota passou de 927 ônibus, para 1.786 veículos. O número de viagens saltou de 6.937, com 249.837 passageiros, por dia para 9.717 viagens transportando 570.753 pessoas.
A primeira queda no número de passageiros é registrada em 2000, quando ficou em cerca de 517 mil por dia. Ao mesmo tempo, o número de veículos e de viagens elevou-se para 2.111 e 13.702, respectivamente. Uma das explicações é o movimento nacional de estímulo ao transporte individual. Por exemplo, a frota veicular na RMPA cresceu, em média, 5% ao longo dos últimos anos, chegando a 7,1% em 2009.
Porto Alegre reduz indústrias e amplia serviços, aponta estudo
Mudanças na década de 90 impactaram na integração econômica da Região Metropolitana