Uma idosa, moradora do bairro Jardim Carvalho, é a terceira pessoa diagnosticada com leishmaniose visceral humana (LVH) em Porto Alegre em menos de um ano. A mulher, de 81 anos, recebe tratamento específico no Hospital Nossa Senhora da Conceição (HNSC), onde segue internada em estado grave.
Conforme a Secretaria Municipal da Saúde, a notificação do caso ocorreu em 11 de maio e a confirmação, feita por exame de aspirado de medula. A vítima reside a 50 metros de distância do local onde vivia um homem, na faixa dos 40-50 anos, que morreu em fevereiro em decorrência da doença. Em setembro do ano passado, veio a óbito a primeira vítima, uma menina de um ano e sete meses. Com isso, o município decretou emergência epidemiológica, seguindo normativa do Ministério da Saúde.
A Secretaria informou que todas as medidas possíveis estão sendo tomadas, como a aplicação de inseticidas na área, para a eliminação do mosquito-palha, que é o transmissor da doença. Também já foram retiradas 30 toneladas de lixo da região e os agentes comunitários de saúde foram capacidades para orientar a população sobre as medidas de precaução.
A pasta divulgou ainda ter examinado cães com suposta de contaminação e que 14 animais apresentaram sintomas da doença. Foram contratados serviços de eutanásia para até 300 caninos soropositivos para Leishmaniose Visceral Canina, mas no domingo passado a medida foi suspensa pela Prefeitura, após protestos de ativistas da causa animal. A Justiça também concedeu uma liminar proibindo, temporariamente, o sacrifício dos cães.
A SMS disse que o Ministério da Saúde já trabalha em Porto Alegre desde o ano passado para conter o avanço da doença. Em fevereiro, técnicos participaram de um seminário com especialistas e auxiliaram em decisões técnicas, tomadas em acordo com a Secretaria Estadual da Saúde, que também monitora a situação.
Liminar
Na última semana, a Justiça gaúcha concedeu uma liminar proibindo a Prefeitura de Porto Alegre de submeter a eutanásia cães com diagnóstico e suspeita de leishmaniose. A decisão do juiz José Antônio Coitinho, da 2ª Vara da Fazenda Pública do Foro Central, é provisória e vai ser reexaminada após a manifestação da Secretaria Municipal da Saúde (SMS). O pedido foi protocolado pela ativista pelos direitos dos animais e deputada estadual Regina Becker (Rede). Conforme a SMS, o período de contestação da decisão é de 15 dias e os técnicos da Vigilância em Saúde de Porto Alegre já estão trabalhando no caso.
Doença
A leishmaniose visceral atinge vários órgãos internos, principalmente, o fígado, o baço e a medula óssea. Causa febre irregular prolongada, anemia, indisposição, palidez da pele e ou das mucosas, falta de apetite, perda de peso e inchaço do abdômen devido ao aumento do fígado e do baço, podendo levar à morte.
Porto Alegre registra terceiro caso de leishmaniose em menos de um ano
Idosa de 81 anos recebe atendimento no Hospital Nossa Senhora da Conceição