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Porto Alegre sofre grandes transformações urbanas

Mobilidade urbana é um dos grandes desafios

Mobilidade urbana é um dos grandes desafios
Mobilidade urbana é um dos grandes desafios Foto : André Ávila
A capital gaúcha vem sofrendo grandes transformações urbanas desde as primeiras décadas do século XX. Aliado ao crescimento, a imagem verde foi incorporada por meio de ruas arborizadas e grandes parques e praças. Contudo, ainda há grandes desafios para as próximas gerações, relacionados à inclusão social, passando do saneamento básico até a questão do meio ambiente.

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A cidade saiu da fase colonial para se tornar moderna a partir de um grande programa de obras públicas na gestão do prefeito José Loureiro da Silva (1937 a 1943), durante o Estado Novo. “Novas avenidas, praças, redes de infraestrutura, expansão de novos bairros mudaram a fisionomia da cidade e a qualidade de seu ambiente construído”, diz a arquiteta, professora do Programa de Pós-Graduação em Planejamento Urbano e Regional da Ufrgs, Maria Soares de Almeida. Arranha-céus acompanharam a abertura de novas avenidas, como a Senador Salgado Filho, Farrapos e a continuação da Borges de Medeiros na direção Sul.

“Em sete anos, a paisagem urbana se transformou”, observa. O segundo momento de mudanças, conforme a professora, foi nos anos 1970 durante o Regime Militar. Porto Alegre já tinha se expandido para a periferia e o processo de conurbação já fazia os limites se diluírem e se confundirem com os municípios do entorno. Na época, ocorreu a implantação da Trensurb e dos corredores de transporte nas grandes avenidas, ligando o centro aos bairros mais distantes e grandes obras viárias como a complementação da Primeira Perimetral e o complexo viário incluindo o chamado Túnel da Conceição, entre outras.

Na última década do século XX, já em pleno período democrático, assumiu importância nos debates, novas formas de inclusão da comunidade nas discussões sobre o futuro da cidade. Maria lembra, ainda, que o novo Plano Diretor aprovado em 1999 incorporou, com grande ênfase, a questão ambiental.

“Recentemente, ao sediar os jogos da Copa do Mundo em 2014, Porto Alegre demonstrou grande adaptação de seus espaços públicos e privados, dando conta do intenso movimento criado com a chegada do grande grupo de turistas que invadiram seus espaços”, observa. Contudo, as obras inconclusas ainda perturbam. “Os novos projetos que pretendem desenvolver a orla do Guaíba à cidade continuam, ainda, a serem apenas uma promessa”.

Segundo a arquiteta, Porto Alegre vem, ao longo de várias décadas, incorporando as grandes transformações urbanas, mas ainda necessita de atenção pública e privada para a promoção da melhoria de vida para os todos os seus moradores. Entre muitos problemas a serem enfrentados, Maria destaca quatro pontos chaves: saneamento básico, mobilidade urbana, segurança pública e meio ambiente.

Outra questão relevante é a paisagem natural. Apesar da valorização das árvores, muitas vezes a expansão do sistema viário provoca a remoção de espécies vegetais de porte o que tem gerado grandes debates e manifestações populares. Para minimizar esse problema, a arquiteta sugere duas medidas: adequação dos projetos viários de modo a preservar o máximo de espécies possível e o compromisso de substituição de cada espécie retirada por novas mudas em número maior como já é exigido para espaços privados. “A presença do verde qualifica os espaços públicos das cidades. A rearborização da avenida Farrapos pode ser apontada como uma medida positiva nesse sentido. Os jerivás plantados no seu estreito canteiro central renovaram a paisagem da avenida”.

Aliado a essas medidas, é necessário cuidar melhor das árvores mais antigas, segundo ela. “Elas continuam a sofrer podas que as mutilam para a proteção das redes aéreas de energia elétrica ou cabos telefônicos. Esta poda desordenada afeta, não só a estética das estruturas vegetais, como a segurança das pessoas. As árvores são estruturas vivas que nascem, crescem e morrem. É importante a adoção de medidas técnicas por parte da prefeitura que promovam o tratamento adequado em todas estas fases da vida de cada estrutura vegetal, desde as novas e frágeis mudas, até as velhas árvores que embelezam nossas ruas e parques para que a cidade possa, cada vez mais, ver valorizado seu rico patrimônio ambiental”.

Mobilidade urbana

A mobilidade urbana é de longe um dos principais problemas atuais de Porto Alegre. E as perspectivas não são otimistas, diante do crescimento exponencial da frota - um veículo para cada 1,7 habitantes (segundo Detran), em especial de carros individuais, e do número limitado de vias. Diante o panorama, um questionamento se torna fundamental: Porto Alegre vai parar?

Na avaliação de alguns especialistas em trânsito a Capital está seguindo o ritmo das grandes metrópoles e a tendência é de que o problema só aumente, ampliando as dificuldades. Ainda mais porque as obras realizadas para melhorar o trânsito são pontuais e normalmente, quando prontas, nascem com o seu potencial esgotado. E a preocupação com o tema é ainda mais relevante porque a falta de mobilidade afeta diretamente a qualidade de vida da população, aumentando o nível de poluição e o stress.

Neste contexto, uma das soluções quase unânimes dos especialistas é tentar frear os carros individuais e ampliar a oferta de transporte coletivo. “É preciso que haja investimento pesado nesta modalidade de transporte e estimular o uso mais racional do carro individual”, aponta o professor do Laboratório de Sistemas de Transportes (Lastran), da Ufrgs, João Fortini Albano, Porém, este é o ponto de maior discussão e divergência atualmente. Como é possível fazer alguém trocar o conforto do seu carro pelo ônibus? Ainda mais quando os usuários enfrentam o excesso de passageiros e uma grande de horário que nem sempre combina com as necessidades?

A resposta do atual presidente da Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC), Vanderlei Cappellari, é a implantação do Bus Rapid Transit (BRTs). Os projetos do modelo de ônibus rápido estão em execução, mas, infelizmente, assim como a maioria das obras públicas, está atrasada. O conceito principal é que esses ônibus terão condições de reduzir o tempo dos percursos dos passageiros e também reduzir o tempo entre as viagens, o que podem ser grandes atrativos.

“Só vamos conseguir fazer com que o cidadão deixe o carro em casa quando ele ver vantagens e benefício em optar pelo transporte coletivo. E o BRT tem esse perfil”, afirma Cappellari. Porém, a possível solução para os problemas ainda está longe de ser realidade.

As obras nas principais avenidas - Protásio Alves, João Pessoa e Bento Gonçalves e da Padre Cacique - estão em ritmo lento. Ora evoluem e ora retrocedem. E os motivos são variáveis. Outra alternativa, mas também longe de ser implantado, é a conhecida linha 1 do Metrô. Com perfil de transportar grande quantidades de pessoas, o metrô tem alto investimento e, por depender da parceria entre os governos, ainda engatinha.

Ao mesmo tempo, seguem as obras para amenizar os transtornos enfrentados pelos motoristas, como a construção de viadutos e alargamentos de vias. Porém, pelas características da própria cidade, elas têm limitações e dificilmente poderão solucionar todos os engarrafamentos.