Teixeira explicou nos arroios não contaminados por esgoto e que têm uma margem razoavelmente larga é possível fazer uma dragagem retirar o lodo e depositar ao lado até que seque, sem causar problemas ao meio ambiente. “Já o material contaminado por excremento humano é tóxico e tem metais pesados. Não posso retirar um armário, por exemplo, contaminado com o esgoto e colocar no solo, porque vai infectar o ambiente e causar sérios problemas, inclusive à saúde pública."
Conforme o diretor, o espaço nos aterros destinados a esse tipo de material esgotou. Por isso, o DEP e outros órgãos da prefeitura estão negociando a desapropriação de um terreno no bairro Serraria para servir como depósito dos resíduos dos arroios e dos valões. “Acreditamos que em março poderemos ocupar a área e recomeçar a limpeza”, disse.
As regiões onde o esgoto é escoado para valas são terrenos invadidos, de acordo com Teixeira. Ele informou que do esgoto captado em Porto Alegre, apenas 27% recebem tratamento. A previsão é de que esse percentual suba para 80% até 2013. O Arroio Cavalhada, no bairro Cristal, é um dos que não recebe limpeza. Os moradores nem lembram há quanto tempo o lixo jogado nas águas continua no local. Eles já fizeram mutirão para capinar as margens e retirar as sacolas e os objetos descartados de maneira incorreta.
O serralheiro Franciel Luiz da Silva, 53, foi um dos que participou do trabalho. Ele contou que há ratos e animais mortos nas águas e, quando chove, muitas vezes as ruas próximas alagam, porque o arroio transborda. A mãe dele, Claudete Ristow, 66, diz que é uma das primeiras moradoras da vila Icaraí 2, onde está localizado o curso d’água. “Cheguei aqui há 16 anos vinda de Caçapava do Sul. O arroio sempre foi assim, sujo”, relatou.
A reclamação dos dois moradores é a mesma de centenas de pessoas que se queixaram à Câmara Municipal de Porto Alegre ao longo de 2011. A vereadora Sofia Cavedon (PT), à época presidente da Casa, destacou que o problema da falta de dragagem e de limpeza dos valos é um dos mais graves da Capital. “Eu e outros vereadores fizemos 55 visitas às comunidades, no ano passado, e atestamos isso”, assegurou a parlamentar.
O problema, de acordo com a vereadora, também ocorre nas vilas Tio Zeca, próximo à Arena do Grêmio, Nazaré e em diversos outros lugares da cidade. A Câmara entregou um relatório ao Ministério Público do Estado, informando sobre a situação e aguarda uma notificação da prefeitura.