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Prédio histórico é colocado à venda em Rio Pardo

Solar dos Panatieri, construção de 1798, chegou a hospedar dom Pedro II no ano de 1865

Solar dos Panatieri, construção de 1798, chegou a hospedar dom Pedro II no ano de 1865
Solar dos Panatieri, construção de 1798, chegou a hospedar dom Pedro II no ano de 1865 Foto : Lula Helfer / Gazeta do Sul
Conhecido como local onde se hospedou dom Pedro II durante a sua passagem por Rio Pardo em 1865, o Solar dos Panatieri foi colocado à venda pelos atuais proprietários em uma imobiliária da cidade e em outra de Piratini. O prédio, na esquina da rua Andrade Neves com a da Ladeira, é uma das principais referências históricas locais, não apenas por ter abrigado o imperador, mas também por integrar outros fatos marcantes desde a construção, em 1798. Nos últimos anos, abrigou um espaço cultural com exposições, saraus musicais e de literatura e acervo.

No porão, ainda é possível ver uma cela de confinamento, onde ficavam escravos submetidos a castigos. O imóvel hoje pertence aos familiares de um dos primeiros médicos negros no Rio Grande do Sul, Luciano Raul Panatieri. A moradia envolve uma história curiosa da vida profissional dele. Um produtor rural tinha um problema em que toda vez que sua mulher entrava em trabalho de parto perdia a criança. Chamado para atender mais uma tentativa da gestante, o médico foi surpreendido pelo marido, que trancou a porta do quarto e apontou um revólver, ameaçando matá-lo se o filho e a esposa não sobrevivessem. Após o parto com sucesso, o homem novamente surpreendeu Panatieri, com o pagamento de uma quantia vultosa, que serviu para a compra do casarão no Centro, em 1930.

O prédio estava sob os cuidados das irmãs Elvira Maria Souza Panatieri Correia de Brito e Marta Maria Souza Panatieri Sittler, filhas de Luciano. Residentes em Porto Alegre, elas viajavam a Rio Pardo para abrir o espaço cultural ao público. No entanto, Marta faleceu em dezembro do ano passado e Elvira afirma não ter mais condições de manter o solar sozinha. Ela conta que conversou com o irmão Rômulo, um dos herdeiros majoritários do imóvel, e decidiram colocar o local à venda.

Elvira diz que a partir disso começou a desocupação do solar. Objetos pertencentes ao pai relacionados à literatura, retratos e peças da profissão foram doados ao Museu de História da Medicina, da Capital, onde em novembro parte do acervo ficou exposto devido ao mês da Consciência Negra e para lembrar a data de aniversário de Panatieri, nascido em 23 de novembro de 1897 e formado pela Faculdade de Medicina de Porto Alegre, em 1922. O Arquivo Histórico de Rio Pardo recebeu fotografias.

Luciano Panatieri queria ser engenheiro, mas a mãe, Abrelina, o convenceu a fazer Medicina sob o argumento de que “um negro, sendo engenheiro, jamais entraria na casa de alguém, mas, sendo médico, seria convidado a entrar na casa de todo mundo”. Foi aprovado em 1923 no concurso para médico do Exército, atuando em São Paulo e Mato Grosso antes da transferência para Rio Pardo, em 1926. Em 1930, deixou a farda e integrou a primeira equipe de saúde do Hospital da Irmandade do Senhor dos Passos. Também atendeu na clínica particular no solar. Panatieri faleceu em 1972.