Para compreender um pouco melhor como se deu o atual desenvolvimento da região é preciso retroceder na história do crescimento da cidade. O loteamento referido integra uma área que foi construída em Porto Alegre. O arquiteto Moacyr Moojen Marques participou da iniciativa de remodelagem dessa parte da Capital. Junto com o aterro foi criado um projeto de contenção de cheias, para evitar o que aconteceu na década de 40, quando o Centro foi invadido pelas águas.
O aterramento realizado no início da década de 60, no governo de Leonel Brizola, compreende o trecho da Usina do Gasômetro até o antigo Estaleiro Só. Para ter uma visão mais ampla, basta seguir o trajeto da avenida Edvaldo Pereira Paiva. Essa avenida, que leva o nome de um dos mais importantes urbanistas da cidade, é na verdade um dique.
Após o aterramento, foram discutidas algumas destinações à área, como a construção de um bairro residencial e, com os recursos da venda, viabilizar as obras do Plano Diretor de Porto Alegre ou, em parceria com a Universidade Federal do Rio Grande do Sul, construir uma unidade na região, como se fosse uma extensão do Campus, conforme recorda o arquiteto. No final, a área acabou sendo dividida.
Os loteamentos foram distribuídos entre os governos federal, estadual e municipal, que instalaram os seus centros administrativos e sedes, como a Câmara Municipal, o Centro Administrativo do Estado e o prédio da Receita Federal. Além disso, houve a separação de lotes para usos residencial, comercial e de serviços.
“Esses tiveram venda autorizada por meio de legislação própria”, explica o coordenador de Planejamento Urbano da Secretaria Municipal de Urbanismo (Smurb), Breno Ribeiro. Entre os lotes comerciais está incluído o empreendimento do cruzamento das avenidas Borges de Medeiros e Ipiranga.
Com o passar dos anos e mudanças no Plano Diretor, a altura dos empreendimentos foi alterada. A última corresponde à legislação aprovada em 1999. A mesma que valeu para o projeto do Fórum Central, que fica ao lado do empreendimento e também segue essa altura, já de acordo com o novo modelo de edificação. “É a cidade com a sua dinâmica sofrendo alterações e se desenvolvendo”, resume Moojen Marques.