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Praça Piratini provoca nostalgia em Porto Alegre

Palco dos movimentos estudantis, espaço abriga moradores de rua e usuários de drogas

Praça Piratini provoca nostalgia em Porto Alegre
Praça Piratini provoca nostalgia em Porto Alegre Foto : Mauro Schaeffer
O brilho da juventude passada na dourada Porto Alegre dos anos 50 e 60, o qual cintila na memória do advogado Marciano Lisboa da Silva, nos dias atuais ofusca de tristeza por ver a má conservação da praça Piratini. O ambiente situado em frente ao Colégio Júlio de Castilhos - que outrora vicejou com a alegria das crianças, acolheu a efervescência cultural e abrigou a ousadia dos movimentos estudantis - está assolado pelo mau usufruto de moradores de rua e de usuários de drogas. Lisboa é presidente da Fundação de Apoio ao Julinho, entidade que quer ajudar a revitalizar a praça.

O cenário é mesmo desolador para quem lhe tem carinho. Bancos e equipamentos estão carentes de cuidado. Monumentos jazem pichados e depredados. Até o velho coreto, o qual deveria reunir os artistas e o povo, como era no passado, acumulou defeitos em sua estrutura e virou casa de desvalidos. "Bota minha foto no jornal", desafia uma mulher, de uns 30 e poucos anos, que habita o local histórico, mas omite o próprio nome quando solicitada a dar entrevista para contar porque mora no coreto.

O advogado conta que a ideia é compartilhar investimentos com a Prefeitura de Porto Alegre. Conforme o projeto, a Fundação de Apoio entraria com o material necessário aos reparos e o poder público arcaria com a mão de obra. "Fomos recebidos na Secretaria do Meio Ambiente (Smam), em setembro, para apresentar a nossa proposta, mas até agora não houve nenhuma resposta para a nossa iniciativa", afirma Lisboa.

Até que seja formalizada essa intenção, moradores dos bairros vizinhos e estudantes do Colégio Júlio de Castilhos terão que conviver com os inconvenientes proporcionados pelos atuais frequentadores. "Assim, suja e feia, dá uma sensação de insegurança", confirma a estudante Danielle Castro, 15 anos, que atravessa a cidade todos os dias do bairro Restinga, onde mora com a família, para estudar no Colégio Júlio de Castilhos. A comerciante Magda Costa, 66 anos, diz que, "do jeito em que está hoje, só está bom para ladrão e para drogado", referindo-se à praça que visita quase que diariamente.

Smam aguarda formalização


A Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Smam) informou não ter localizado nenhum processo relativo à proposta de revitalização conjunta do entorno da praça Piratini, em frente ao Colégio Júlio de Castilhos. A iniciativa é da Fundação de Apoio ao Julinho. A secretaria alertou que todo projeto deve estar constituído em um processo físico, para avaliação dos setores competentes.

O processo deverá ser aberto no Protocolo Central da prefeitura, que fica na rua 7 de Setembro, 1123, no Centro de Porto Alegre. "O ideal é que, além da descrição da proposta, o documento seja constituído por pessoa física, através de entidade representativa da sociedade civil organizada. Cabe destacar que a Smam tem todo o interesse em projetos que visem aproximar as comunidades das áreas verdes", esclareceu a assessoria de imprensa da secretaria.

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