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Praia no inverno é o paraíso dos ladrões

Passada a temporada de veraneio, Litoral Norte gaúcho fica abandonado

Defasagem de efetivo policial no Litoral gaúcho durante o inverno é de 30%
Defasagem de efetivo policial no Litoral gaúcho durante o inverno é de 30% Foto : Arthur Puls
Na época de veraneio, boa parte dos gaúchos se desloca para o Litoral Norte e as atenções se voltam para as praias da região. No entanto, quando termina a alta temporada e os veranistas vão embora, os moradores dos balneários se sentem abandonados pelo poder público, principalmente no que se refere à segurança e à infraestrutura. Os criminosos se aproveitam da falta de movimento e tomam conta dos municípios, arrombando casas e assaltando comerciantes. Além disso, a população tem que enfrentar vias esburacadas e alagamentos.

“No inverno, fica tudo abandonado e sempre, a partir das 4h, começam a invadir as residências”, conta o lavador de carros Dirceu Ribeiro dos Santos, 42 anos, morador da rua Ipanema, no Centro de Balneário Pinhal. Ele se sente inseguro, assim como Maria de Lima Pereira, 65, que, a exemplo de outros idosos, se mudou para Magistério com o propósito de descansar durante a aposentadoria. Segundo ela, quando acaba o verão, os moradores ficam entregues à própria sorte, já que o efetivo policial diminui e a população não tem a quem recorrer.

O responsável pelo Comando Regional de Policiamento Ostensivo (CRPO) do Litoral Norte, coronel Altemir Folgiarini Ferreira, admite a falta de efetivo. “A defasagem é parecida com o do restante da instituição no Estado, entre 30% e 33%”, afirma. Ele diz que não pode revelar o número de PMs que atuam na área, mas muitos estão se aposentando. “Entre novembro e abril, temos um aporte de 1 milhão de pessoas no Litoral Norte e o aumento da demanda é natural”, explica. Por isso, no verão, de acordo com Altemir, a Brigada Militar remaneja o efetivo de outras regiões para as praias.

O coronel informa que a situação deve ser amenizada com o ingresso de cem homens na corporação a partir de setembro. Ele garante que há PMs em todos os municípios, mas em nem todos os bairros e distritos existem representantes da corporação. “As pessoas fecham as casas em março e voltam somente no fim do ano”, observa, dizendo que não tem pessoal para fazer rondas em todos os lugares. “Nossa prioridade é combater crimes contra a vida. Quando temos condições, vamos atrás de crimes contra o patrimônio”, destaca.

Um dos lugares onde mais faltam PMs é Capão da Canoa, informa Altemir. Os comerciantes chegaram a fazer um manifesto para pedir mais segurança nas últimas semanas. O comandante avalia que, quando ocorrem assaltos, a população da região costuma se assustar. “Não é comum crime dessa natureza na praia. Sempre que ocorre, causa um pavor na comunidade”, destaca.

Registros de crimes entre janeiro e maio

Arroio do Sal
Furtos: 168 — Roubos: 9
Balneário Pinhal
Furtos: 166 — Roubos: 26
Capão da Canoa
Furtos: 742 — Roubos: 164
Cidreira
Furtos: 218 — Roubos: 28
Imbé
Furtos: 496 — Roubos:
Osório
Furtos: 389 — Roubos: 60
Palmares do Sul
Furtos: 91 — Roubos: 7
Tramandaí
Furtos: 788 — Roubos: 108
Torres
Furtos: 423 — Roubos: 30
Xangri-Lá
Furtos: 596 — Roubos: 62
Fonte: SSP/RS

Arrombamentos geram reclamações

A situação de Xangri-Lá, no Litoral Norte do Estado, também tem sido alvo de críticas dos moradores. Os problemas são praticamente os mesmos que assolam os municípios da região. O principal se refere à falta de segurança pública, sobretudo com o índice elevado de furtos e arrombamentos nas residências locais. Os moradores reclamam também da precariedade de algumas vias da cidade. A condição da rodovia Interpraias, com seus intermináveis buracos, há muito vem sendo alvo de reclamações.

No inverno, sobra a buraqueira

Após o término do veraneio, o que sobra para os moradores do Litoral Norte são os buracos. A auxiliar de enfermagem aposentada Lia Quadros, 61 anos, não sabia que ao se mudar para a praia de Quintão, balneário de Palmares do Sul, iria passar trabalho para se deslocar na cidade. A rua General Artigas, onde mora, alaga quando chove e os veículos ficam atolados na areia. “Dois carros que tínhamos já estragaram”, comenta. Ir ao supermercado ou ao médico é uma aventura, pois a locomoção é praticamente impossível em alguns dias. As galochas têm que estar sempre a postos, segundo a mulher, que saiu de Porto Alegre há quatro anos, a procura de mais conforto. “Nunca pensei que seria assim”, diz.

As vizinhas Maria Pereira, 63 anos, e Iolanda de Mello, 58, ambas aposentadas, também reclamam dos buracos. Uma delas mal pode conduzir um carrinho de compras. Elas e outros moradores precisam, de tempo em tempo, comprar brita ou restos de construções para tapar as deformidades do solo. “Fui na Subprefeitura de Quintão e me mandaram comprar material para colocar nos buracos”, denuncia Lia. Cada caçamba com uma tonelada custa R$ 65,00. Da última vez, foram necessárias seis.

A Subprefeita de Quintão, Verônica Barros Rodrigues, afirma que os funcionários não são aconselhados a dar esse tipo de informação. “O que eu digo é que vai demorar”, assume. Ela informa que está arrecadando materiais para cobrir as deformidades nas ruas e usando uma retroescavadeira para fazer a limpeza dos valos e evitar alagamentos. “Quintão tem 101 ruas com quatro ou cinco quadras e cada uma delas tem pelo menos um buraco”, explica.

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