Mais de 80 dias se passaram desde a ressaca que deixou prejuízos graves às praias gaúchas do Litoral Norte. Os danos não resultaram em impossibilidades para que a temporada de veraneio seja bem aproveitada, mas deixaram marcas que ainda podem ser vistas e dificultam a melhor utilização da infraestrutura. Algumas praias se utilizaram do improviso para resolver de forma rápida, outras acabaram realizando obras nos locais afetados e nem todas estão finalizadas.
Em Tramandaí, a queda de parte do muro de contenção e a erosão ocorrida no calçadão foram solucionadas, de forma improvisada, com a colocação de areia no local, formando uma pequena duna. “Nós fizemos o muro de contenção e a prefeitura coloca somente areia”, disse o funcionário de um dos quiosques. A Secretaria de Obras de Tramandaí não retornou o contato com a reportagem.
Por outro lado, em Imbé, há danos mais complexos. O calçadão que liga a Barra de Imbé ao resto da praia, na Guia Corrente, e o asfalto de um dos sentidos da avenida Beira-Mar, ficaram com suas estruturas condenadas por conta da invasão do mar, fazendo com que a prefeitura iniciasse a revitalização da região antes do previsto. “A ressaca foi no pior momento possível, faltando apenas 45 dias para o verão é complicado”, afirmou o prefeito de Imbé, Pierre Emerim.
O plano da prefeitura era de realizar a revitalização do trecho apenas em abril. “Não é o ideal. Ninguém vai pra praia querendo ver obra. Tanto que as prefeituras realizam os reparos necessários até novembro, mas acontece”, disse a administradora Leonora Martins, 57, que veraneia há mais de 20 anos em Imbé. Segundo o prefeito, os danos causados pelo avanço do mar foram avaliados em RS 2 milhões, sendo que o mais grave foi o do calçadão.
A obra está sendo realizada em cerca de 60% do trecho danificado – com cerca de um quilômetro de extensão. Os outros 40% dependem de recursos aguardados do governo Federal. “Naquele ponto específico estamos aguardando a vistoria do governo Federal, que pode ser dispensado. O vice-prefeito está em Brasília para tentar essa dispensa”, relatou Emerim.
A expectativa é de que a obra seja concluída em entre o final de fevereiro e o início de março. No momento, está sendo concluída a fase de estaqueamento do muro de contenção e concretagem. Posteriormente, o calçadão em si e o asfalto serão recuperados. Os trabalhos iniciaram há pouco mais de 10 dias.
O novo calçadão de Capão da Canoa é outro ponto de uso freqüente dos veranistas que foi atingido pela força do mar. Segundo o secretário de Obras de Capão da Canoa, Valmarino Alves, cerca de 80% da obra de reparo foi concluída até o momento. Ela foi iniciada em meados de novembro. “A obra deverá ser concluída, se o tempo ajudar, até a semana que vem”, afirmou o secretário. Mesmo com os estragos, o local está liberado para os veranistas. Até o momento não há registro de acidentes no calçadão.
Praias do Litoral Norte ainda se recuperam da ressaca de outubro
Calcadão de Imbé e de Capão da Canoa passam por obras de restauração