O prefeito de Canoas, Jairo Jorge, afirmou, durante visita aos bairros mais afetados pelo temporal da desta segunda-feira, que decretará estado de calamidade pública em até 24 horas. De acordo com ele, a medida favorece o auxílio à população, acelerando o processo de compra de materiais para a reconstrução das cerca de 150 casas que ficaram danificadas. "A população sofreu muito e agora é hora de reconstruir", afirmou.
Cerca de 19,5 mil clientes seguem sem luz na cidade. Entre os bairros mais afetados estão Estância Velha, Olaria, Rio Branco e Mathias Velho. Equipes da Defesa Civil, Bombeiros e da Secretaria Municipal do Meio Ambiente trabalham desde o início do dia para recuperar os estragos.
O temporal de hoje deixou rastros de destruição em praticamente toda a cidade. Mais de uma centena de árvores e 70 postes de rede de energia elétrica foram arrancados pelo vento que, às 5h50min, atingiu 96,4 km/h. “Contabilizamos três casas destruídas e outros 150 imóveis danificados”, contabilizou o coordenador da Defesa Civil, Mauro Guedes. Os maiores estragos ficaram concentrados na zona Leste do município, com ênfase para os bairros Olaria, Guajuviras, Estância Velha, Nossa Senhora das Graças e Niterói.
Pelo menos três pessoas necessitaram de atendimento no Hospital de Pronto Socorro local. Entre elas estava o aposentado Laudeger Freitas, 81, resgatado pelos bombeiros nos escombros da moradia. A casa em que vivia na companhia da mulher, Maria Lopes, 53, e de um casal de filhos, na rua Rosa Cruz, bairro Olaria, desabou após ser atingida pelo tronco de uma aroeira.
“Ele estava prensado entre a cama e o telhado e as paredes laterais que desabaram”, relatou o vizinho, consultor de marketing Luis Felipe Marques Rocha, 33, cuja moradia também ficou completamente destelhada. Apesar de não ter ferimentos físicos, o aposentado foi encaminhado para atendimento médico, uma vez que apresentava aceleração cardíaca.
O pedreiro Sidnei da Silva Moraes, 36, e a filha Andriele, 4, não tiveram a mesma sorte. Atingidos pelo madeirame do telhado, sofreram profundos cortes na cabeça. Vizinho do aposentado, Moraes despertou às 5h45min com o ruído de um estrondo. “Em fração de segundos as madeiras despencaram”, recordou. A mulher do pedreiro, Angelita Gonçalves da Silva, 45, e os outros três filhos do casal nada sofreram.
Quem cruzava a rua Rosa Cruz tinha a impressão de que todas as casas tinham sido alvo de um bombardeio. De um lado havia imóveis destelhados e, de outro, danificados por telhas e árvores. “Escutei um estouro seguido de muitos gritos de socorro. Foi horrível”, comentou a dona de casa Cristiane Segala, 30. O azulejista Vitor Felix de Souza Junior, 30, acordou com o ruído provocado pelas rajadas de vento e logo abriu uma das janelas para ver o que acontecia.
“Fiquei atônito observando galhos de árvore e telhas sendo arrastados pela ventania”, recordou. Também no bairro Olaria, os moradores dos prédios K e L do Condomínio Planalto Canoense I, na rua Zulmiro Gomes da Silva, tiveram os apartamentos invadidos pela água da chuva depois que os telhados, presos em estruturas metálicas, foram arrancados pela ventania.
A água, inicialmente, atingiu as unidades residenciais do quinto pavimento e depois escorreu para os andares inferiores, passando pelas emendas das chapas pré-moldadas do piso e canaletas da rede elétrica. “Perdi tudo”, lamentou o técnico em telefonia Jarbas Ronaldo da Silva, 49. Morador do apartamento 546 há pouco mais de 30 dias, o coordenador técnico André Loureiro, 25, revelou que o incidente foi precedido de forte rajada de vento. “As janelas tremeram, veio o estouro e o telhado se foi pelos ares”, disse. Oito automóveis que estavam no estacionamento ficaram danificados.
Região Metropolitana
As chuvas e o vendaval da madrugada desta segunda-feira provocaram estragos em outros diversos municípios da Região Metropolitana. Em Sapiranga, os bombeiros retiram uma árvore que caiu sobre um casa, na avenida Presidente Kennedy, no bairro São Luiz. Outras oito foram destelhadas no bairro Amaral Ribeiro. Em Viamão, o vento destelhou um posto de gasolina e uma casa pegou fogo, no bairro Lomba do Sabão, após um fio de alta tensão ser atingido por uma árvore. Os moradores conseguiram sair a tempo e o prejuízo foi mínimo. Já em Alvorada, pelo menos 20 chamados foram registrados em decorrência da queda de árvores e fios de energia.
O prédio de uma fábrica desabou nesta manhã, em Cachoeirinha. De acordo com o Corpo de Bombeiros, a estrutura, que fica no Distrito Industrial do município, não resistiu à força dos ventos. Os funcionários da empresa não estavam no imóvel, que deixou de ser utilizado pelas más condições. O local foi isolado para vistoria dos bombeiros.
Ainda em Cachoeirinha, cerca de 40 árvores caíram sobre casas, fiação elétrica e obstruíram ruas. Os problemas foram localizados especialmente nos bairros Marechal Rondon e Nova Cachoeirinha. Apesar dos incidentes, ninguém ficou ferido.
Caetanno Freitas e Otto Herok Netto/ Rádio Guaíba e Luciamem Winck/Correio do Povo
Prefeito de Canoas deve decretar estado de calamidade pública
Mais de 100 casas foram danificadas em razão da chuva desta segunda