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Prefeito e vice ajudam a apagar focos de incêndio em Picada Café

Empresa que pegou fogo é responsável por cerca de 70% de retorno de ICMS do município <br />

Funcionários da prefeitura também estão ajudando a conter o incêndio
Funcionários da prefeitura também estão ajudando a conter o incêndio Foto : Pedro Revillion
O prefeito de Picada Café, Luciano Klein, e o vice, Heliomar Schroeder, bombeiros voluntários, também ajudaram a combater incêndio, iniciado às 5h10min desta sexta-feira, em uma fábrica de calçados. “Estou ajudando porque é do interesse do município, não podemos deixar o coração de Picada Café parar de bater”, disse Klein. Segundo ele, a cooperativa Coopershoes é responsável por aproximadamente 70% do retorno de ICMS para a cidade. Funcionários da prefeitura também foram convocados para auxiliar no combate às chamas. Uma retroescavadeira foi colocada à disposição pelo do Executivo municipal.

O prefeito disse que esse é o maior incêndio na cidade desde sua emancipação, há 19 anos. Segundo ele, nunca foi concedido incentivo a nenhuma empresa no município. No entanto, se for o caso, ele pretende encaminhar um projeto à Câmara Municipal. Klein disse também que deve se reunir com os cooperados na segunda-feira e já colocou o parque de máquinas da prefeitura à disposição para realizar a limpeza da fábrica.

Os 130 sócios da fábrica de calçados informaram que eles e os funcionários que se candidatarem vão trabalhar durante todo o final de semana para que a produção seja retomada já na segunda-feira. O plano é transferir o setor de costura para o antigo prédio da empresa e colocar a unidade de montagem, a qual teve 50% da estrutura queimada, no local que ficará vago. Além das máquinas, as formas dos calçados foram danificadas. Todo o prédio é coberto por seguro. 

Um bombeiro que também é funcionário da empresa foi intoxicado pela fumaça do incêndio. Ele está em observação na Unidade de Saúde do município. Uma mulher teve uma crise nervosa e também foi levada para o local por volta das 10h35min.

A fábrica de Picada Café, matriz da empresa, possui 1,5 mil funcionários. A Coopershoes tem duas filiais, em Garibaldi e em Veranópolis, que somam outros 1,5 mil empregados. A cooperativa é a única autorizada a fabricar o tênis AllStar no Brasil. Ela fica a oito quilômetros do Centro da cidade, na localidade de Joaneta, e abastece o mercado nacional e argentino. São produzidos aproximadamente 40 mil pares de calçados por dia.

Moradores temem prejuízos

Funcionária da fábrica há cinco anos, Rosane Benz, 28 anos, mora em frente ao local. Ela foi acordada por volta das 5h20min e visualizou labaredas de aproximadamente cinco metros. Assim como tantos outros trabalhadores que estão posicionados na entrada do prédio testemunhando a movimentação, Rosane teme ficar sem emprego. Segundo ela, os produtos químicos utilizados para confeccionar os calçados ficam dentro de tubulações. Como cerca da metade de um dos pavilhões foi queimado, ela acredita que todo o mecanismo precise ser refeito.

O subcomandante da Brigada Militar local, soldado Pedro Amado, relatou que não havia visto tanto movimento no município desde maio de 2010, quando se mudou para Picada Café. Segundo ele, a cidade é muito calma e não registrou nenhum homicídio no ano passado. Ele disse que por causa do incêndio hoje tem até congestionamento nas ruas, algo visto apenas quando ocorre procissão, casamento ou velório. Amado afirmou que a cidade está crescendo por conta da instalação da fábrica. Chegam cinco ônibus por dia de Canela e um de Portão trazendo funcionários.

Argeniro Mallmann, morador de Canela, passaria a integrar um desses ônibus. Ele estava desempregado há 15 dias e foi admitido pela empresa. Nesta manhã, iria fazer o exame admissional. Quando chegou à cidade, a fábrica já estava pegando fogo.

Três restaurantes conveniados atendem aos funcionários da Coopershoes. Um deles terá um prejuízo de cerca de R$ 2 mil somente nesta sexta-feira. O proprietário, Bartos Corrêa, 32 anos, informou que o local serve 750 refeições por dia, entre almoço e janta. Praticamente todas as famílias tem pelo menos um parente trabalhando na fábrica. O marido da auxiliar de cozinha do estabelecimento Sueli Nobles Machado, 49 anos, por exemplo, atua no setor de solados. Além dele, outras seis pessoas da família dela são empregados da cooperativa.


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